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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 16/08/09 Burocracia toma mais tempo de diretor do que pedagogia Pesquisa mostra que principal queixa dos dirigentes de escola é com atividade administrativa Para pesquisador que participou do levantamento, 70% do trabalho do diretor escolar está ligado a funções burocráticas do colégio FÁBIO TAKAHASHI Mais do que salário, violência e espaço
físico inadequado, a principal queixa dos diretores da rede municipal
de São Paulo é o excesso de burocracia. A constatação foi feita em pesquisa do Sinesp
(sindicato da categoria), que entrevistou em março 373 gestores.
Destes, 53% se queixaram que gastam mais tempo com papéis e formulários
do que com atividades pedagógicas -reuniões com os professores,
por exemplo. Segundo os dirigentes, o problema é agravado pela
falta de funcionários nas escolas. Salário foi apontado
por 3% da amostra como um dos principais problemas; 9% citaram violência
e insegurança; e 38%, deficiências físicas das escolas. A pesquisa foi feita para representar os 5.000 diretores
e coordenadores pedagógicos do sistema municipal paulistano. Algumas das atividades não pedagógicas que
os diretores fazem são controle de notas fiscais de compras; pagamento
de fornecedores; levantamento de informações como férias
e adicionais por tempo de serviço dos professores, para serem enviadas
à diretoria de ensino. "Reconheço que a carga burocrática para
os diretores é muito pesada", disse o secretário municipal
da Educação, Alexandre Schneider. "Mas temos diminuído". A dirigente de uma escola de ensino fundamental na zona
sul, que prefere não ser identificada, reclama que qualquer compra
exige três orçamentos e, posteriormente, o envio dos documentos
a um contador. "Há ainda sobreposição de pedidos.
Preciso mandar a planilha de bens patrimoniais ao setor de bens da secretaria
e, depois, ao de compras. Mas são necessários ajustes em
cada uma, o que toma tempo", disse. "Quase não dá
para conversar com os professores." "A vida dos dirigentes é um inferno. E isso
vale para quase o país todo", afirma Ilona Becskeházy,
diretora-executiva da Fundação Lemann, que capacita diretores
de redes públicas. Ela sugere que as escolas tenham um diretor
pedagógico e outro administrativo. O pesquisador Rudá Ricci, consultor do levantamento,
calcula que 70% do trabalho do diretor está ligado à burocracia.
"Há desconfiança em cima dos diretores e professores.
Por isso tantos relatórios." Para ele, o ideal seria que as
secretarias se concentrassem em avaliar o rendimento dos alunos. Essa foi uma das mudanças aplicadas em Nova York,
diz a pesquisadora Patrícia Guedes, que analisou, a pedido da Fundação
Itaú e do Instituto Braudel, a reforma daquele sistema. Além disso, foram eliminados órgãos equivalente às diretorias regionais de ensino. "Diminuiu muito a papelada.
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