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| Revista do Projeto Pedagógico IV - Orientação aos gestores das unidades escolares 2.
O papel da Direção no Projeto Pedagógico e no Plano
Escolar A participação
da Direção, agente de transformação e de
desenvolvimento, controlador e avaliador da Gestão Escolar, no
planejamento, parece-nos insubstituível. Embora ela deva delegar
responsabilidades, nas várias etapas da organização
da escola, cabe a ela estabelecer diretrizes gerais, resultantes da
ampla discussão com o pessoal de apoio e com as equipes técnico-docentes.
Essa discussão refletirá sempre o "Plano de Escola",
que se quer implantar e desenvolver. Poder-se-ia argumentar: a direção não domina os conteúdos específicos das disciplinas e, por isso, deve deixar as tarefas aos coordenadores e professores. Nada mais falso! Uma direção interessada haverá de ter presente sua capacidade de observação e avaliação do que vivenciou ao longo dos anos em que esteve à testa da unidade. É um acúmulo de experiências, de modo algum desprezível, conferindo-lhe autoridade para orientar quaisquer planejamentos e fornecer os mais variados subsídios. A direção detém a visão de conjunto do processo pedagógico e, oferecê-la à compreensão dos envolvidos, é uma contribuição de inestimável valor. Cabe ao Diretor reunir as informações necessárias para facilitar a tomada de decisões.
A
primeira questão que nos vem à mente, ao tratarmos do
planejamento, sempre repetida e quase nunca levada a sério por
muitos, é a que se refere ao compromisso. Nenhum planejamento
terá validade, se os envolvidos não se propuserem a cumpri-lo
integralmente. Mas esse cumprimento somente será possível
por meio de um "acompanhamento e cobrança". Assim,
a primeira tarefa do corpo diretivo, em discussão com todos (professores,
pessoal de apoio, etc...), será encontrar mecanismos que garantam
o cumprimento de tudo aquilo que todos se comprometam a realizar coletivamente.
Sabemos como é difícil concretizar o plano, tal a rotina
e o marasmo, que toma conta de quase todos, passadas algumas semanas. Entenda-se
o termo "acompanhamento e cobrança", no seu sentido
educacional, ou seja, o de detectar problemas e propor soluções
para resolvê-los pelo diálogo honesto, conjunto e democrático. Quanto
ao processo pedagógico, parece-nos que esse gerenciamento e cobrança
jamais poderá ter alguma eficiência, sem que se tenham,
em mãos, dados concretos, resultantes das metas e objetivos. Os
mecanismos de "acompanhamento e cobrança" poderão
variar de escola para escola, mas deverão basear-se sempre em
documentação, em todas as disciplinas, de tal forma que
os responsáveis pela supervisão do processo pedagógico
possam ter uma idéia do que está sendo realizado em sala
de aula, para cumprimento do Plano de Escola. Apenas, dessa forma, não
se permitirão as constantes lacunas deixadas, anualmente, na
formação intelectual dos alunos, quando os ciclos de estudo
não se completam. Entendemos que a abertura dos trabalhos de planejamento, com todos os professores, deva enfatizar os aspectos acima mencionados, inclusive objetivando esclarecê-los de que o "acompanhamento e cobrança" não devem ser encarados como fiscalização e interferência e, sim, a tentativa de um trabalho permanentemente reflexivo e, quando for o caso, replanejado.
De
maneira geral, o questionamento ao "acompanhamento e cobrança"
reflete, quase sempre, a insegurança daquele que contesta, quando
não, a precariedade de atuação em sala de aula,
a inexperiência no trato com o alunado, os autoritarismos latentes
na relação professor- aluno, que não se querem
revelados. Achar que o "acompanhamento e cobrança"
caracterizam intromissão da direção, na seara do
professor, constitui ledo engano. Todos nós estamos sendo permanentemente
avaliados. Os olhos da comunidade estão voltados quotidianamente
para a nossa atuação, sejamos dirigentes, professores
ou funcionários. O julgamento dela é implacável,
embora, muitas vezes, não se expresse em palavras, mas pelo carinho
ou desprezo que nos devota. Quem desconhece os méritos do professor
competente e dedicado ou as precariedades dos omissos e desinteressados?
Não é à toa que os problemas de disciplina e aproveitamento
são tênues, quando o docente cria um ambiente de respeito
e solidariedade, explodindo em níveis críticos, nas aulas
rotineiras e desmotivadas. Portanto, a sala de aula emite sinais inequívocos,
que voam pelos corredores e chegam aos ouvidos. Para muitos, o fácil
é agir como o avestruz. É, exatamente, para impedir chegar-se a extremos negativos que o trabalho deve ser acompanhado e cobrado. Essa é a forma de promover os docentes, por meio de ações corretivas ao longo do processo. Um líder é meste em mudança O
mundo moderno sofre, a cada momento, muitas mudanças. Mudança
não é fato novo na rotina do dia a dia. Elas sempre existiram.
As preocupações nossas dizem respeito à velocidade
com que elas acontecem. O verdadeiro líder que se diferencia
tem capacidade de adaptar-se a essas mudanças. A mudança
mais importante é aquela acontecida com o próprio líder.
Depois, deve ser capaz de processar as mudanças nos outros. Quase
sempre as mudanças implicam em abrir mão do passado. Elas
são necessárias, quase sempre, não só pela
importância do objetivo da qualidade, mas também para melhorar
a sociedade. O líder diferencia-se por manter em perspectiva
de mudança de forma constante. Sabe acompanhar o crescimento
dos outros. A manutenção
de ter a mudança em perspectiva favorável é muito
bom para os líderes modernos, porque em cada emoção
há uma reação. O medo das mudanças, ao contrário,
ocasiona a perda de identidade pessoal. Diretrizes Fundamentais Muito
tem a falar a direção sobre as diretrizes gerais para
cada disciplina e, não o fazendo, haverá uma tendência
para o afrouxamento, tanto nas propostas como na execução,
com o conseqüente descumprimento delas. Tomemos,
inicialmente, algumas questões relacionadas à Língua
Portuguesa. Seria possível um curso minimamente produtivo sem
que o alunado fosse estimulado a leituras formais e informais ao longo
do ano? E quanto
às Ciências Físicas e Biológicas? Deve a
Direção e professores conformarem-se com o estudo teórico
e inócuo dos conteúdos que, no mais das vezes, se funda
nos textos didáticos, incluídos neles até mesmo
experiências prontas? Em quantas escolas os laboratórios
encontram-se desativados e, muitas vezes, por inércia dos responsáveis,
justificando-se, quase sempre, pela falta de materiais na escola? O produto
da aprendizagem do método científico não deveria,
normalmente, ser apresentado ao final de um ciclo de estudos, numa feira
de ciências? Não seria esta a oportunidade dos alunos demonstrarem
a sua criatividade? Mas quantos professores dão-se realmente
a esse trabalho e quantas escolas o realizam? Que preocupações
absorvem os professores quanto às descobertas científicas
cotidianas noticiadas pelos meios de comunicação? De que
maneira veiculam essas informações a suas aulas? Se
considerarmos um mundo dominado pela ciência e tecnologia, imaginem-se
as lacunas na formação de nossos estudantes. Caberia à
Direção chamar a atenção para esses aspectos
durante o planejamento e insistir para que sejam introduzidos nos conteúdos
a serem ministrados. E não será preciso conhecer a fundo
a disciplina para estabelecerem-se diretrizes nesse sentido. Reportando-se
à área de História e Geografia, seria importante
lembrar suas finalidades. Essas disciplinas são essenciais na
compreensão do mundo e da realidade que cerca o alunado, visando
à formação do cidadão e de seu senso crítico,
mormente hoje, quando a Constituição conferiu o direito
de voto aos maiores de 16 anos. Cabe à Direção
questionar os professores sobre suas responsabilidades neste aspecto.
Quantos trabalham com conteúdos voltados para a realidade social,
vinculando-a ao processo histórico? Que papel desempenha a leitura
de jornais e revistas no planejamento de conteúdos? Embora
possamos não ser especialistas nessas disciplinas, devemos ter
a sensibilidade de discutir esses temas, por ocasião da elaboração
do plano escolar. Sobre
Educação Artística, deve a Direção,
ao elaborar suas diretrizes, lembrar aos profissionais da importância
de o alunado ter o contato com as grandes criações da
humanidade, no campo das artes plásticas, da música erudita,
do teatro, coordenando seu trabalho com as áreas de Português
e História, por exemplo. Deve estar no centro das preocupações
da escola planejar ações que valorizem a arte. Uma formação
intelectual, da qual a arte esteja excluída, é o caminho
mais curto à insensibilidade e a desertificação
do conhecimento. Levar o professor da área a refletir sobre a
questão é primordial para o enriquecimento do curso. Se
existirem professores especializados em teatro, instrumentos musicais,
pintura, escultura, impõem-se "explorá-los"
no sentido de darem a sua contribuição. E quantas escolas
não os possuem? E a
nossa velha Educação Física? No que vem sendo transformada
em numerosas escolas? Que foram feitos dos exercícios, ou seja,
da ginástica propriamente dita? Parece banida das preocupações
da maioria dos profissionais do ramo. Predominam o futebol de salão,
o vôlei e o basquete, cujos fundamentos são muito pouco
aprofundados. Não se observam, na maioria das unidades escolares,
quaisquer apresentações demonstrativas da evolução
dos alunos nesse campo. Quando muito nas atividades curriculares desportivas
(Res. 142/01) disputam este ou aquele campeonato. Por que alunos pagam
ou sonham poder pagar uma academia para fazer educação
física? Não seria o caso de a Direção discutir diretrizes, no sentido de mudar esse estado de coisas? Um líder forma equipes É
inegável que os seres humanos sempre tiveram tendências
para a formação de grupos. Na nossa escola não
é diferente, apesar da cultura nossa valorizar ao individualismo. O desejo
e a necessidade de dirigir precisam ser calcados em um princípio:
não basta dirigir a equipe, será preciso que ela queira
ser dirigida. Elogiar
faz bem. O açúcar leva mais longe que o vinagre. Motivar
é algo que podemos fazer, começando por nós mesmos. Outro
cuidado que o líder diferenciado deve ter é oferecer ao
grupo um apoio construtivo em vez de crítica construtiva. Também
o treinamento é fundamental para que melhore a capacidade das
pessoas para a função a que se propõem. Confúcio
já dizia - "Vejo e esqueço. Ouço e me lembro.
Faço e entendo". Líder sabe delegar e sabe fornecer informações de duas maneiras: fazendo perguntas e dando orientações. A questão metodológica Alguma
coisa a Direção tem a opinar sobre as metodologias atualmente
empregadas nas diversas disciplinas e atividades. Elas se resumem, em
boa parte , a comentários genéricos sobre o tema abordado,
leitura do livro didático (quando ele não é alfa
e o ômega do ensino) e um questionário, no mais das vezes,
à guisa de um resumo do que foi tratado. É
preciso estimular os professores na busca de metodologias capazes de
motivar o alunado, levando-os a refletir, permanentemente, sobre os
conteúdos a serem aprendidos. É fundamental recuperar
as aulas dialogadas, nas quais, a partir de informações
que o aluno recebe dos mais variados meios de comunicação,
possa ser construído o conhecimento que se quer interiorizado.
Eis aí uma forma de dinamizar as aulas, canalizando a energia
do aluno para a reflexão. São primordiais metodologias
que organizem melhor o conhecimento adquirido ao longo do trabalho das
unidades planejadas. A Direção,
que se dá ao trabalho de examinar o caderno dos alunos, ao longo
do ano, perceberá quão caóticos eles se apresentam:
rabiscos, anotações aleatórias, conteúdos
de diferentes disciplinas num mesmo espaço, enfim a confusão
generalizada. Raros são os professores que preparam um roteiro
para as suas exposições, orientam os alunos quanto às
anotações de aulas, elaboram uma síntese geral
do tema estudado, etc... Orientar
o aluno a produzir uma documentação coerente com o que
aprendeu é obrigação de qualquer educador. É
também obrigação da escola proporcionar ao alunado
um mínimo de auto- organização, demonstrada por
uma documentação que reflita a eficiência do ensino/aprendizagem. Se
o material de apoio sobre metodologia não existe na escola, pode
ser requisitado junto à CENP ou FDE, que o tem produzido de boa
qualidade e de fácil assimilação pelo professor
interessado. Fornecê-los aos professores das diversas disciplinas
é uma obrigação da Direção. O uso
que os docentes farão deles dependerá de seu foro íntimo
e do interesse em se aprimorar. Em não o fazendo, não
poderão alegar que a direção se mostrou omissa,
quanto aos subsídios. Esses são alguns aspectos e haveria outros, sobre os quais será sempre importante a opinião da Direção da escola no contexto do planejamento. LEGISLAÇÃO PARA CONSULTA Decretos
nºs. 7.510/76, 10.623/77, 17.329/81.
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Decálogo A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas
as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão
ser objetos de ofícios da direção
às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o
diretor de eventuais responsabilidades administrativas. |