Revista
do Projeto Pedagógico
II - Trabalhando
com Alunos: Subsídios e Sugestões
2.
Algumas Reflexões Sobre o Ensino de História do Brasil
Da
importância de variadas abordagens históricas
Afinal para que serve a História? Como deve ser ensinada na Educação
Básica? Que gradações devem ser observadas nos Ciclos I,
II e Ensino Médio?
Primeiramente, devemos considerar que História
é a ciência humana básica na formação do aluno,
pela possibilidade de fazê-lo compreender a realidade que o cerca e, conseqüentemente,
dotá-lo de espírito crítico, que o capacitará a interpretar
essa mesma realidade.
Todavia, formação de espírito
crítico não significa, necessariamente, levar alunos a posições
ideológicas extremadas, mas capacitá-los a discernir as várias
linhas e correntes de interpretações, que se podem dar aos fatos
históricos, em seus devidos contextos, e, a partir daí, permitir
aos discentes realizar suas escolhas políticas, sociais, econômicas
e culturais.
Por outro lado, a ciência histórica tem seus
métodos e instrumentos de análise que se querem respeitados. O ensino
de História, necessariamente, deve levar em consideração
essas premissas, também, com a finalidade de estimular vocações
para esse ramo do conhecimento humano. Assim, o estudo de documentos e as várias
interpretações, suscitadas pela História, são pontos
fundamentais no estudo dessa disciplina.
A afirmação, hoje
muito difundida, por certas correntes, segundo a qual, a educação
não é neutra; no fundo, embute a idéia segundo a qual História
deveria ser desenvolvida a partir de uma linha ideológica vinculada à
realidade social, injusta e exclusiva, da qual são vítimas, vastas
parcelas da população brasileira e mundiais. Ora, tal interpretação
tende a criar a idéia, segundo a qual, somente ações radicais
teriam o condão de eliminar tais desigualdades e injustiças, o que
desqualifica a possibilidade da existência de vias democráticas de
transformação nos países que enfrentam tais problemas.
Até aí nada demais, posto que, num sistema democrático, no
qual vivemos, os professores têm o direito de adotar essa ou aquela linha
de interpretação histórica, em sala de aula. Ocorre que,
ao adotar "uma linha" de interpretação dos fatos históricos",
negam-se aos alunos os instrumentos necessários para desvelar o outro ou
os outros lados da questão, ou seja, deixam-nos impossibilitados de refletir
sobre outras interpretações, que poderiam enriquecê-lo culturalmente.
Por outro lado, a linha única no desenvolvimento de conteúdos
históricos, cria, na mente dos jovens, um preconceito odioso contra formas
políticas, sociais e econômicas vigentes e um sectarismo, extremamente,
perigoso.
Quando pensadores de esquerda criticam o capitalismo, por exemplo,
alguém poderia objetar que o socialismo constituiu-se, comprovadamente,
em experiências fracassadas, em países cuja ineficiência econômica
e totalitarismo político (economia dirigida pelo Estado, regimes políticos
de partido único) acabou por fazê-los ruir, totalmente, nas últimas
duas décadas do século XX, e que o segundo, ainda que imperfeito,
criou as mais sólidas economias e democracias mundiais, além de
sociedades de elevado bem-estar social do mundo contemporâneo.
Seriam
verdadeiras as afirmações acima expostas? É o que deveriam
perguntar-se os professores de História, quando de discussões sobre
o tema com suas classes, mormente, os do ensino médio, realmente, interessados
em formar o espírito critico dos alunos, oferecendo-lhes diversificadas
bibliografias e diferentes instrumentos de análise histórica.
A
questão do ensino da história do Brasil, no Ensino Fundamental Médio
Muito se discute, sobre a importância de os alunos conhecerem
a realidade brasileira. Todavia, sem um estudo do Brasil contemporâneo,
a partir de suas estruturas sociais, políticas econômicas e culturais,
isso se torna de difícil concretização.
Qualquer
estudo de História do Brasil, nos ensinos Fundamental e Médio, deveria
começar pela situação atual do país a partir de noticiários
televisivos, pesquisa em jornais, revistas, livros didáticos e para-didáticos,
filmes históricos, entrevistas com membros de determinados segmentos sociais,
de acordo com a localização e possibilidades de cada escola.
Buscar as conexões entre presente e passado da História brasileira,
enriquecerá, sobremaneira, os conhecimentos dos alunos dos vários
Ciclos do Ensino Básico. Entretanto, o que se observa, é o hábito
de muitos professores montarem seus programas utilizando-se da cronologia tradicional,
Colônia, Império e República, selecionando excessiva quantidade
de conteúdos, durante o planejamento. Em decorrência desse fato,
os alunos nunca chegam a estudar o Brasil, no qual estão, realmente, inseridos.
Dada a liberdade de construção dos currículos de História,
durante o planejamento, nada impede que os professores iniciem seu trabalho em
História do Brasil a partir da análise das estruturas: sociais,
políticas, econômicas sociais e culturais, atuais para, a partir
daí, estabelecer as conexões necessárias entre o presente
e o passado.
Assim procedendo, o professor teria a oportunidade de selecionar
os aspectos mais significativos dos diversos períodos da História
do Brasil, explorando-os com a necessária pertinência. Essa seleção
eliminaria os conteúdos supérfluos e enxugaria os programas, tornando-os
factíveis para o ano letivo.
Do
ponto de vista político, por exemplo, os alunos deveriam conhecer:
as
características do atual sistema político: como funciona o regime
presidencialista? Como funciona o processo eleitoral? Como evoluiu esse regime
político da Colônia aos nossos dias? Que correntes político-ideológicas
estão representadas nas Câmaras Municipais, Assembléias e
Congresso Nacional?
Na
abordagem desse tema, haveria a oportunidade de estabelecer as relações
entre o presente e o passado: a estrutura política atual e a da Colônia,
Império e República Velha, na medida em que elas deixaram marcas
profundas na vida política brasileira, de hoje.
Ao analisar o presidencialismo
e seu funcionamento, o professor retornaria à administração
colonial, ao regime monárquico, ao nascimento da República, buscando
seus pontos de conexão: a comparação entre o regime imperial
e o presidencialismo republicano. Desde seus primórdios, mostraria inúmeros
pontos de contato e permanências do regime imperial no regime político
atual, entre os quais, o excessivo poder do Presidente da República, ao
longo da vida republicana,velha herança do Poder Moderador Imperial. Tudo
isso trabalhado por meio de conteúdos significativos.
O mesmo procedimento
poderia ser usado no estudo do coronelismo, ou seja, o domínio de grupos
oligárquicos, ainda existentes, em regiões do norte e nordeste,
originários dos períodos Colonial, Imperial e da República
Velha, quando o "mandonismo local" era a base do sistema eleitoral nas
Câmaras Municipais ( instituição transplantada de Portugal
à Colônia) Parlamentos Provinciais e Imperial. O estudo, ensejaria,
a análise do processo eleitoral (desde o voto censitário imperial
ao sufrágio universal masculino no início da República) nos
diversos períodos da História Brasileira e a comparação
entre as eleições de hoje às do Império (1822-1889)
e República Velha (1889-1930). Por outro lado, esse estudo suscitaria ampla
discussão sobre o regime cartorial-burocrático até hoje vigente
no país, permeando práticas políticas e econômicas
e que, em parte, explicariam a corrupção nos parlamentos, executivos
e judiciários do país, cujos escândalos são matéria
prima cotidiana nos órgãos de imprensa escrita e televisada em todo
o país.
Outros aspectos da vida política brasileira poderiam
ter o mesmo tratamento, vinculando, sempre, o presente ao passado.
Do
ponto de vista social (sem preconceitos ou dogmatismos), faz-se necessário
o estudo das desigualdades: distribuição de renda, da propriedade
da terra- seus avanços e retrocessos (a questão do latifúndio
e as novas formas de exploração agrícola), buscando as relações
entre os problemas do presente com os fatos que deram origem a eles, nos diversos
períodos históricos.
Se a miséria, englobando grandes
bolsões da sociedade brasileira, constitui, ainda, um grave problema social
brasileiro, inegavelmente, o país evoluiu socialmente nos últimos
30 anos, sob todos os aspectos. Pesquisa sobre a evolução econômica
brasileira, durante o século XX, demonstrariam os avanços sociais
dela decorrente, obtidos nas últimas décadas.
Entrevistas
com favelados, com membros do MST, com moradores de rua, pequenos e grandes empresários,
membros da classe média, levariam os jovens a compreender melhor a realidade
social exclusiva dos bolsões de miséria das várias regiões
brasileiras.
Mais uma vez, o retorno ao passado seria capaz de levar
os alunos a desvelar as origens das desigualdades sociais, ao longo de nossa história.
Para isso, a análise da sociedade Colonial e da Imperial, fundada na mão-de-obra
escrava, no latifúndio e no poder dos senhores rurais, durante os vários
ciclos econômicos brasileiros, mostra-se primordial.
O sistema de
latifúndios, a partir do qual os colonizadores e, depois, os grandes senhores
do Império e República Velha, apropriaram-se da terra, criando imensas
propriedades, poderá levar os alunos a entender a luta pela reforma agrária
nos dias que correm e, ao mesmo tempo, constatar o que foi feito ao longo da última
década em relação à propriedade da terra. Uma pesquisa
sobre as novas formas de exploração agrícola, sobre os assentamentos
de membros do MST, já realizados, seus progressos e retrocessos, os vários
pontos de vista sobre a reforma agrária em andamento, também, contribuiriam
para esclarecimento do processo de ocupação da terra no Brasil..
Por outro lado, a análise da assimétrica industrialização
brasileira, ajudaria o alunado a compreender o grande desenvolvimento industrial
do Sudeste, o crescimento de suas elites urbanas e das classes médias (insignificante,
até meados do século XX), e o atraso do Norte e Nordeste , dominados
ainda pelo latifúndio, pela miséria e exclusão social de
grande parte de suas populações.
A evolução
dessas distorções sociais, ao longo da história brasileira,
e a organização social brasileira, atual, enriquecerão os
conhecimentos dos estudantes e poderão levá-los a elaborar hipóteses
para a superação dos problemas.
do
estudo comparativo entre a nossa sociedade e as sociedades avançadas, que
conquistaram um Estado de bem-estar social, a partir da instituição
de sistemas democráticos e reformas sociais profundas no campo e na cidade
(Estados Unidos, Suécia, Noruega, Dinamarca, França, Inglaterra,
Bélgica, Austrália, Canadá, Japão e mais recentemente
os Tigres Asiáticos, entre outros).
Será extremamente motivador, no estudo de problemas ligados à miséria
e à exclusão social brasileiras, levar os alunos a pesquisar sociedades
afluentes do mundo contemporâneo para descobrir a maneira pela qual essas
nações, conseguiram superar sérias distorções
sociais comuns em países latino-americanos, africanos e asiáticos.
Essa análise, contribuiria para a discussão de uma série
de meias verdades, entre as quais, a celebre "teoria da dependência"
através da qual algumas correntes tentam demonstrar que dificuldades sócio-econonômicas,
latino-americanas, em geral, e do Brasil, em particular, sempre estiveram condicionadas
à expansão econômica de países desenvolvidos, esquecendo-se
de que muitos dos problemas latino-americanos decorreram da falta de democracia,
de políticas equivocadas das elites dominantes, nos diversos períodos
históricos nos países do Continente, e da extrema burocracia e regulamentações
econômicas, travando o desenvolvimento dessas nações, ao longo
da História, fossem quais fossem suas colorações ideológicas.
A análise das conquistas econômico-sociais das grandes nações
do globo ajudaria, sobremaneira, na compreensão das dificuldades latino-
americanas.
De fundamental importância será o estudo da escravidão,
responsável pelo atraso econômico-social do país, deixando
marcas indeléveis na sociedade brasileira - racismo e preconceito, que
determinam dificuldades de ascensão social do negro decorrentes de discriminação
no mercado de trabalho, exclusão social, marginalização,
etc. A pesquisa das organizações negras e de suas lutas, para alcançarem
plena igualdade de direitos, hoje, mostra-se relevante.
A pesquisa sobre a
escravidão e a discussão em classe, sobre a questão do preconceito
racial existente no Brasil, seria o ponto de partida para o estudo da escravidão
(indígena e negra), durante os diversos períodos da História
Brasileira, culminando com a abolição dos escravos, realizada sem
a preocupação de integrar o negro à sociedade, mantendo-o
tão excluído, socialmente, quanto o foram enquanto escravos, fato
que se agravaria com a permanência de uma mentalidade preconceituosa, entre
vastas parcelas da população branca, que, ainda se manifesta em
numerosas camadas, nos dias que correm.
A luta das entidades ligadas aos
movimentos negros e suas conquistas poderão levar o aluno ao conceito de
cidadania e ganhar um batalhador a mais na busca da igualdade de direitos entre
os vários segmentos desfavorecidos da sociedade brasileira.
O
estudo das lutas pelos direitos da mulher, ao longo de nossa história,
e as conquistas obtidas.
A pesquisa da condição da mulher, na
atualidade, incorporando-se em todos os setores da vida brasileira, deve ser acompanhada
do estudo de sua situação social nos vários períodos
históricos brasileiros para que o aluno seja levado a avaliar o quanto
elas tiveram de lutar para superar discriminações sociais de todo
tipo, ao longo de nossa história. O professor de literatura poderá
sugerir um estudo sobre mulheres, entre as quais as personagens do livro "A
Moreninha", além de Moema, Iracema, Capitu, Marília de Dirceu,
Luzia Homem, etc.. Uma investigação sobre pioneiras: Maria Quitéria,
Ana Nery, Chiquinha Gonzaga, entre outras personagens femininas de destaque em
nossa História, contribuirá para o enriquecimento discente, que,
com certeza, ignora a luta feminina para se afirmar como membro atuante de nossa
sociedade.
Do ponto de vista econômico é de fundamental
importância:
O
estudo, não-sectário, do neoliberalismo, globalização,
relações econômica e interdependência entre o Brasil
e demais países do globo; o estudo da evolução econômica
do Brasil, enfatizando sua marginalização, à época
da segunda revolução industrial do início do século
XIX, provocando o atraso industrial brasileiro, a duras penas superado nas quatro
últimas décadas.
O neoliberalismo é um tema que, hoje, perpassa matérias jornalísticas,
jornais televisivos, obras acadêmicas e quejandos. Quando estudado no ensino
fundamental e no ensino médio, é oferecida aos alunos a oportunidade
de discutir suas várias facetas, através de variados instrumentos
de análise?
Aqui, mais uma vez a volta ao passado, ou seja, o estudo
do liberalismo seria dos mais elucidativos.
Uma segunda questão,
no estudo do liberalismo, seria a maneira como e quando foi inserido na vida brasileira,
após a Revolução Francesa e Revolução Industrial.
Esse fato ensejaria o estudo das lutas pela Independência política,
com realce para a Inconfidência Mineira de l789, com sua conotação
nitidamente política e a Baiana de 1798, com sua conotação
social, nos fins do período colonial e a Independência no 7 de setembro
de 1822.
O estudo do neoliberalismo remeteria o professor à questão
da globalização, tema recorrente nos dias que correm e seu caráter
quase irreversível, num mundo dominado pela informação instantânea
e elevada tecnologia. Mais uma vez, mostra-se fundamental levar o aluno a compreender
seus aspectos positivos e negativos, evitando o mestre, fórmulas prontas
e dogmáticas a respeito desse processo. A comparação entre
a posição dos operários frente às máquinas,
durante a Segunda Revolução Industrial e os movimentos antiglobalização,
nos dias que correm, forneceria rico material para a reflexão do aluno
sobre o tema.
A pesquisa e discussão sobre a indústria brasileira
na atualidade, possibilitaria, mais uma vez, a volta ao passado, mormente as dificuldades
de inserção do Brasil na "era da máquina", nos
fins do século XIX.. A leitura por parte dos professores do livro "Mauá
Empresário do Império" de Jorge Caldeira ( Companhia das Letras,
1995) explica, com muita clareza, a luta de Mauá pela industrialização
do Brasil no século XIX e os óbices impostos pela elite rural brasileira.
A
questão metodológica no tratamento dos temas
É óbvio que não
se pode desenvolver a mesma História do Brasil nos diversos Ciclos do Ensino
Básico. Tem-se de levar em consideração a faixa etária
a que ela se destina.
Assim, tudo que foi exposto, anteriormente, pode
e deve ser desenvolvido com os alunos do Ciclo II do Ensino Fundamental e Ensino
Médio, resguardando-se, evidentemente, suas pertinentes graduações.
Não é o caso das primeiras etapas do Ciclo I.
Com as crianças
do Ciclo I, deve-se levar em consideração os aspectos lúdicos,
pitorescos e, até mesmo, os fantásticos, que povoam suas mentes.
Não se pode imaginar "sociologizantes" interpretações
históricas para essa faixa etária. É possível fazê-las
entrar em contato com aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais
atuais, por meio de entrevistas com populações pobres, empresários,
negros entre outros segmentos sociais, em um primeiro contato com a realidade
que os cerca.
Porém, para introduzi-las no passado, será
fundamental levá-las a conhecer aspectos da vida cotidiana dos brasileiros
nos diversos séculos de nossa civilização: o que pensavam
acerca de numerosas questões do dia-a-dia? Como produziam aquilo que lhes
permitia a sobrevivência em meio inóspito como no Brasil dos primeiros
séculos? Como os diversos segmentos sociais relacionavam-se entre si e
com os habitantes da terra, os indígenas? Como deram-se as relações
entre os brancos das diversas classes sociais com indígenas e negros escravos?
De que maneira, índios e negros marcaram a civilização brasileira?
Tudo isso permitirá uma visão concreta de nossos primeiros
habitantes.
Dir-se-ia, portanto, que, para essa faixa etária,
seria fundamental a visão de quadros ou cenas específicas da vida
política, social, econômica e cultural da Colônia, Império
e República. Para isso, textos de autores da época, pesquisa iconográfica
em revistas e jornais não são difíceis de obter. Por outro
lado, a leitura de obras históricas infanto-juvenil e para-didáticas
de História do Brasil, produzirão, além de novos leitores,
no contexto literário, uma curiosidade por fatos históricos, que
se aprofundarão nos Ciclos II e Ensino Médio
.
Como se vê,
não se trata de se ensinar uma História, apenas, com base em datas,
fatos e heróis brasileiros, comum, entre os professores do Ciclo I, mas
dotar a criança de uma visão, mais próxima possível
do país, por meio das formas de vida e pensamento dos brasileiros nas diversas
épocas. Visão histórica amparada pela constante mediação
do tempo e espaço históricos.
Assim, professor algum do Ciclo
I deveria trabalhar História do Brasil, sem as suas respectivas Linhas
do Tempo e mapas históricos, a fim de que possa levar os alunos a localizar
fatos e datas fundamentais da História brasileira e o espaço em
que eles se deram, conteúdos esses, que os estarão preparando para
etapas mais complexas de estudo.
Anda muito em voga a idéia de
que os conhecimentos dos alunos devem ser por eles construídos. Qualquer
conhecimento é construído pelo aluno, posto que, seja qual for a
metodologia empregada pelo professor, o aprendizado é sempre uma construção
de quem é levado a fazê-lo. Não fosse assim, os alunos deixariam
a escola nas mesmas condições em que entraram, o que é absolutamente
falso.. O que ocorre é uma construção de conhecimentos por
parte dos alunos, de maior ou menor qualidade, dependendo de quem ministra o ensino.
No caso específico do ensino de História do Brasil, como em outras
disciplinas, vários elementos entram nessa construção do
conhecimento histórico. Ainda que se deva partir da realidade que cerca
o aluno, através de uma série de contatos deles com essa mesma realidade,
o estudo dos "fatos significativos" de nossa história, é
fundamental, posto que, cérebro algum reflete no vazio. Ninguém
pode ser levado a conhecer o passado, sem o estudo de fatos históricos
específicos. Contudo, esses fatos só se integrarão à
consciência dos alunos, ou seja, serão apreendidos, na medida em
que se liguem ao já conhecido pelo discente. Daí a importância
das aulas dialogadas, nas quais o novo conhecimento venha unir-se aos rudimentares,
presentes na memória dos alunos. Daí a importância da leitura
de obras históricas, didáticas, para-didáticas, de divulgação,
acadêmicas e quejandos, em diferentes ciclos de estudo, na perspectiva de
se formar o conhecimento histórico necessário à reflexão
dos alunos. Não se trata, pois, de encher a cabeça de crianças
e jovens de conteúdos aleatórios, ou seja, de personagens e datas
(ainda que eles sejam imprescindíveis em determinados contextos) mas de
vinculá-los a temas significativos para a compreensão do processo
histórico..
Observam-se, hoje, que, fatos comezinhos da História
brasileira são, absolutamente, desconhecidos da maioria de nossos jovens,
que não têm qualquer noção do que seja Colônia,
Império e República e, muito menos, o Brasil Contemporâneo
e a localização de fatos importantes no espaço e no tempo.
Que dizer, então, dos homens que viveram nesses períodos. Portanto,
o professor deve estar atento a sua programação, selecionando, dos
períodos históricos, aquilo que é mais significativo para
a compreensão do processo histórico. Daí, repetirmos, a importância
de se estudar o passado a partir do presente, buscando as suas conexões.
BIBLIOGRAFIA
As escolas estaduais de Ciclo I e II têm recebido da SEE numerosos livros
para a composição de Bibliotecas - quando há espaço
para tal na unidade - Entre esses livros há numerosas obras históricas
que poderão ser de grande utilidade para os professores da disciplina.
CALDEIRA, Jorge - Mauá, Estadista do Império - Cia das Letras.
São Paulo - s/d.
CARONE, Edgard - O Movimento Operário no Brasil
(1877- 1944) - Difusão Européia do Livro, 1979
CARONE, Edgard
- A República Velha, volumes I e II, Difusão Européia do
Livro. s/d.
COMMAGER, Henry Steele- Iniciação ao estudo de História
- Zahar Editores Rio de Janeiro, 1967.
DEAN, Warren - A Industrialização
de São Paulo - Difusão Européia do Livro. São Paulo
- s/d.
FAUSTO, Boris- A Revolução de l930, Editora Brasiliense.
São Paulo - s/d.
FRANCIS, Paulo - Trinta anos esta noite - Cia das Letras,
1994. São Paulo.
HOLANDA, Sérgio Buarque de Holanda - Raízes
do Brasil, Livraria José Olímpio Editora, Rio de Janeiro,
MACHADO,
Alcântara - Vida e Morte do Bandeirante, Livraria Martins Editora (só
encontrado em
bibliotecas). São Paulo - s/d.
MAURO, Frederic -
O Brasil no tempo de D. Pedro II, Cia das Letras. São Paulo - s/d.
MOTA,
Carlos Guilherme (organizador) - Brasil em Perspectiva, Difusão Européia
do Livro, 1973
RUY, Affonso, A Primeira Revolução Social Brasileira
(1798), Coleção Brasiliana, Editora Nacional
(só encontrado
em bibliotecas). São Paulo - s/d.
SKDMORE, Thomas - De Getúlio
a Castelo (1930-1964), Editora Saga - Rio de Janeiro, 1969
SKDMORE, Thomas
- De Castelo a Tancredo, Editora Paz e Terra. São Paulo - s/d.
SODRÉ,
Nelson Werneck, Panorama do Segundo Império - Editora Nacional, Coleção
Brasiliana, 1939
(só encontrado em bibliotecas). São Paulo
TORRES,
Luiz Wanderley - Tiradentes, a aspera estrada para a liberdade - Editora Obelisco,
São
Paulo, 1965
VIOTTI DA COSTA, Emília - Da Senzala à
Colonia, Difusão Européia do Livro, 1966. s/d.
WIZNITZER, Arnold
- Os judeus no Brasil Colonial - Livraria Pioneira Editora. Editora Universidade
de São
Paulo, São Paulo, 1966.
OBRAS
GERAIS
NOVAIS,
Fernando, (Coordenador ) História da Vida Privada Brasileira - Volumes
I, II, III e IV- Cia.
das Letras (Do período colonial ao século
XX). É a mais moderna obra no gênero no Brasil e de
indispensável
leitura para os professores de História - Cia das Letras e enviada às
bibliotecas das escolas
estaduais pela SEE. São Paulo - s/d.
HOLANDA,
Sérgio Buarque de (Coordenador), História Geral da Civilização
Brasileira - Difusão Européia
do Livro, São Paulo, 1960.