| |
| Revista do Projeto Pedagógico II - Trabalhando com Alunos: Subsídios e Sugestões 1.
A Aula
Uma aula: um momento mágico de aprendizagem ou um pesadelo? Depende da
postura do professor frente a seus alunos. Diríamos que, hoje, a aula tenderia,
para muitos professores, mais para pesadelo que para momento mágico da
aprendizagem. Tudo porque, esses docentes, resistem em mudar sua forma de trabalhar,
descuidam de refletir sobre a aula que irão ministrar, cristalizando posicionamentos
que os levam, quase sempre, ao preconceito diante do aluno, cujo comportamento
foge aos padrões por ele, inconscientemente, estabelecidos: o conformismo,
a imobilidade, a passividade, a aceitação de métodos pedagógicos
antiquados e desmotivadores, num momento em que a realidade, que cerca o aluno,
é tecnologicamente dinâmica quanto às formas de divulgação
das informações.
Preparar a aula, auxiliado pela tecnologia disponível é essencial.
E não se diga que, atualmente, a maior parte das escolas públicas
não disponha de um grande número de materiais audiovisuais, televisões,
bibliotecas (ou pelo menos livros), etc., para motivar as aulas, materiais esses
que muitos professores sequer se dão ao trabalho de pôr em uso. Há
os que dominam muito bem os conteúdos de sua disciplina e que, de certa
forma, depois de anos e anos de docência, nos quais refletiram sobre como
trabalhariam, são capazes de desenvolver belíssimas aulas sem necessidade
de colocar no papel aquilo que vão ministrar. Nessas aulas, há o
trabalho permanente, prazer em conviver, tranqüilidade nas relações
humanas e aproveitamento dos alunos. Nelas são raros os casos de indisciplina.
Esse é um fato facilmente constatável, em qualquer escola em que
o diretor e o coordenador se dêem ao trabalho de percorrer seus corredores,
dando uma "espiadela" no que nelas está ocorrendo. Por outro
lado, numerosos professores conhecem pouco sobre a disciplina, que ministra e
improvisa o tempo todo. Efetivamente, a improvisação nunca é
criativa, fundada que está em atividades desorganizadas e aleatórias,
que só fazem confundir e irritar os alunos, que não sabem muito
bem para onde estão caminhando seus estudos naquela disciplina. Daí
a rebeldia, a indisciplina e o desrespeito ao professor por parte de determinados
grupos em sala de aula. O curioso é que os docentes, vivendo esses problemas,
jamais param para refletir sobre a balbúrdia em sua sala. Mas é
explicável o fenômeno. Parte dos alunos de uma classe é conformista,
aceitando passivamente ou "estoicamente" a caceteação
de uma atividade desmotivada, o que faz com que o professor considere manifestações
hostis a sua aula, deste ou daquele aluno, apenas um ato de indisciplina isolado
de "baderneiros e vagabundos" (cujo número tende a crescer ao
longo do ano) quando, na verdade, é o sintoma de que algo vai muito mal
em suas classes.
Preparar a aula é estabelecer os caminhos, que professores e alunos percorrerão em busca de conhecimentos significativos. Ora, todo caminho a ser percorrido deve, obrigatoriamente, fundar-se em um roteiro adrede preparado. Ninguém entra numa floresta intrincada, separando territórios que se quer alcançar sem planejar a travessia, posto que, ao tentar percorrê-la, cegamente, o mínimo que pode acontecer é perder-se por entre as numerosas trilhas, que se apresentam aos desbravadores. O mesmo pode-se dizer de uma aula. Então, o roteiro no desenvolvimento de um conteúdo é imprescindível. Preparar a aula é definir a maneira de desenvolvê-la a fim de torná-la prazerosa e inteligente de tal forma que os alunos sejam chamados a participar ativamente dela. Sob esse ponto de vista, o conteúdo da aula deverá basear-se num diálogo entre professores e alunos, no qual os primeiros buscarão nos alunos aquilo que difusamente sabem sobre o conteúdo em estudo, unindo-o com o que se quer ensinar, resultando disso tudo o conhecimento novo. Aula dialogada, além da troca de informações entre professores e alunos, é o primeiro passo para facilitar a assimilação do conhecimento e veicular a realidade do aluno a conteúdos significativos. Mas essa não seria a única forma de se trabalhar os conteúdos das disciplinas. Haveria outras que, a permanente reflexão do professor, ao preparar sua aula, tenderá a criar, observando sempre o ritmo de cada grupo de alunos, entre as quais: o "Estudo do Meio", o trabalho em grupo, os seminários de debates (mormente nas matérias humanísticas), a pesquisa de campo, que propiciariam a inserção do aluno na realidade política, econômica, social e cultural da comunidade, do município, do Estado, do país. A aula preparada com reflexão, com certeza, terá um conteúdo bem dosado, posto ser ele significativo. De nada adianta a massa de informações inacessíveis à compreensão dos alunos e, por isso, sob muitos aspectos, inúteis.
Entendemos que uma aula deva ser um todo constituído de muitas partes.
Assim, é preciso que a aula tenha começo, meio e fim, ainda que,
o conteúdo da unidade, englobe mais de uma aula.
Pouquíssimos professores preocupam-se em orientar a auto-organização do trabalho discente em sala de aula. Desse fato decorre, não ter, grande parte dos alunos, a documentação dos conteúdos trabalhados na aula. Uma breve observação nos cadernos dos alunos é o bastante para se constatar as distorções reinantes no fazer de grande parte dos discentes (notadamente os egressos das classes desfavorecidas, desprovidos de apoio cultural no lar e, muitas vezes, de acompanhamento e orientação em sala de aula). São anotações aleatórias daquilo que o professor, às vezes, passa no quadro-negro, rabiscos, desenhos de todo tipo, desvinculados, é claro, dos conteúdos que estão sendo desenvolvidos. Esse fato, é, também, sintoma do desinteresse prevalecente entre os alunos em determinadas aulas. E o que é pior, transforma-se num péssimo hábito prejudicando, profundamente, as avaliações, visto que, o aluno não tem onde estudar os conteúdos trabalhados (embora a avaliação deva ser contínua, ou seja, em todas as aulas tal qual colocamos no transcorrer desta análise). Denota, também, a pouca ênfase que o professor dá ao acompanhamento individual do trabalho em sala de aula. É verdade que essa é uma tarefa ingrata, mesmo para o professor, que acompanha individualmente o trabalho de seus alunos, posto que o problema se origina do desinteresse dos pais quanto às tarefas que o filho deveria realizar em casa e de um processo distorcido e sem exigências, em outras disciplinas, nas quais determinados professores agem de forma omissa quanto à organização dos trabalhos a serem realizados pelos alunos, em classe, prejudicando os docentes, que buscam organizá-los. Esse fato demonstra, claramente, a inexistência de um trabalho coletivo na unidade. Concluindo
Embora reconheçamos a inadequação da estrutura do sistema
(sobretudo no Ciclo II e Ensino Médio), para uma bem sucedida Progressão
Continuada e para se trabalhar da forma como foi colocada neste texto, apesar
dos baixos salários, desmotivando grande parte dos professores, há
um nó, que necessitamos desatar: a ausência da consciência
da responsabilidade social da escola no sentido de melhorar o desempenho dos alunos
e daqueles que, diretamente, atuam sobre eles. Nesse aspecto, não podemos
nos esquecer de que, o que propiciou as inovações, que muitos de
nós criticamos, foi a constatação de que o aprendizado era
precário e as retenções monumentais, ao final de cada ano
letivo, sem que os órgãos centrais buscassem soluções
factíveis (afinal a SE recebia os resultados da avaliação
das escolas, bimestralmente, e, nunca atuou sobre ela no momento em que deveria
fazê-lo) e o coletivo refletisse e procurasse alternativas para o que vinha
sucedendo. Se era tão ruim o aproveitamento dos alunos, no que ele poderia
piorar com as inovações? Claro está que se não houver
uma auto-crítica dos envolvidos no processo educacional, no sentido da
mudança de posturas frente ao trabalho docente com os alunos, se houver
uma compreensão equivocada da Progressão Continuada, contaminando
professores e alunos, se houver a acomodação de todos diante da
idéia segundo a qual apenas interessa à SE estatísticas de
promoção, iremos ao fundo do poço.
|
Decálogo A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas
as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão
ser objetos de ofícios da direção
às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o
diretor de eventuais responsabilidades administrativas. |