Revista do Projeto Pedagógico

I - Elaborando o Projeto Pedagógico

1. Planejamento

O que é planejamento?

Segundo o "Aurélio", planejamento é o ato ou efeito de planejar. É o processo que leva ao estabelecimento de um conjunto coordenado de ações, visando à consecução de determinados objetivos. Planejar é elaborar um roteiro de ações para se atingir um determinado fim.
Realmente, ninguém planeja alguma coisa para o nada, ou a partir do nada. Ninguém planeja alguma coisa se não tiver objetivos simples e claros para serem atingidos.
Podemos, inicialmente, dizer que planejamento apresenta alguns tipos de procedimentos, entre os quais:

1- o estabelecimento de objetivos, simples, claros e definidos que o coletivo da escola quer alcançar;
2- a definição dos caminhos que levará aos objetivos pretendidos;
3- a definição dos procedimentos pedagógicos cabíveis para que possa, através das ações, viabilizar a consecução dos objetivos traçados e pretendidos e
4- o estabelecimento de um roteiro norteando o caminho a seguir para se atingir as metas propostas.

A partir dessas conclusões e procedimentos, podemos entender planejamento como antecipação de ações a serem desencadeadas ao longo do ano letivo, utilizando-se de todos os meios disponíveis para se atingir os fins a que se destina o ato de educar.

Na escola, enquanto educadores, planejamos para ver concretizadas nossas idéias educacionais, vinculadas à formação e informação de alunos capazes de se inserir, com sucesso, no mercado de trabalho (ou seja de construir seu futuro) e de criar um mundo melhor e mais justo.

Atingir ou não os objetivos propostos já é outra questão. Depende de uma série de fatores dentre os quais a qualidade das ações. Muitas vezes não percebemos ou não despertamos para essas ações. Nossos erros e acertos ficam condicionados à nossa própria razão de existir. Daí a necessária organização de pensamentos e idéias.


Os problemas do dia-a-dia


Assim, no cotidiano das escolas: não há ação ou ações sem um fim previsto e, dependendo da qualidade das mesmas, os resultados serão diferentes.

Para que o trabalho da ação educativa tenha sucesso é preciso que as ações sejam eficazes para a obtenção de melhores resultados. Disso decorre que se deve planejar o melhor possível.
Para planejar melhor é preciso definir clara e objetivamente o que desejamos alcançar. Porém, muitas vezes, na realização das ações para se atingir os objetivos, aparecem obstáculos dos mais diferentes tipos, principalmente, porque os objetivos não ficaram claros ou são inexeqüíveis.
É preciso, portanto, parar, pensar e debater. Por exemplo: os alunos mostram-se indisciplinados, não prestam atenção às aulas, não fazem as lições de casa, faltam constantemente, não estão estudando, mostram-se desinteressados. Frente a esses problemas o coletivo decide: precisamos melhorar!

Melhorar o quê? Como melhorar?

O caminho seria retornar aos objetivos estabelecidos e não alcançados e rever as ações executadas que não deram certo, alterando, assim o rumo de um trabalho equivocado. Diante do fracasso pode-se, até mesmo, chegar-se à conclusão de que os objetivos propostos não eram exequíveis.

Para que o coletivo atinja os objetivos a que se propôs faz-se necessário pois que eles sejam passíveis de serem alcançados.

Para cada objetivo podem ser traçados vários caminhos Para sua operacionalização, planeja-se, ordenando-se, passo a passo, racionalmente, as ações, aulas, eventos e tarefas.
No momento em que o coletivo vai planejar, ressaltamos algumas peculiaridades que devem ser levadas em conta:

1- observação do universo escolar, suas particularidades, sua cultura, seu patrimônio, sua vida cotidiana.
2- planejamento para agir - sem ações definidas o plano, estará fadado ao fracasso. Assim antes de inicia-lo faz-se necessário perguntar-se: Que é um plano?, Por que um Plano? Para que um Plano? Como se fazer um Plano? Quando se fazer um Plano? Para quem se fazer um Plano? etc..
3- indicar os responsáveis pela produção das ações, que se querem com êxito;
4- questionar sobre que caminhos serão mais rápidos e eficazes para se atingir os objetivos?


O Papel Social da Escola


Sem organização torna-se difícil chegar-se a algum lugar, pois é o meio de realização do Planejamento. Organização e Planejamento são elementos interdependentes. O segundo não subsiste sem a primeiro.

Ao planejarmos, precisamos discutir nossa tarefa social e a função política da escola. Embora, muitas vezes, a escola esteja, inconscientemente, comprometida com os interesses das classes dominantes, reproduzindo suas estruturas e visão de mundo e, às vezes, até legitimando-as, não podemos jamais esquecer de atender aos interesses dos setores mais carentes da sociedade verificando o que, e como, devemos fazer para que a escola possa tornar-se um instrumento eficiente de promoção de mudanças sociais.

Precisamos, enfim, pensar que as crianças das classes desfavorecidas que mais têm dificuldades de aprendizagem, são aquelas que reconhecem (também seus pais), o grande valor do docente que lhes deu o instrumental de luta mais eficaz, para a sua ascensão social e transformação da sociedade.

Planejamento e Organização


Em nossas observações, durante o Planejamento de diversas escolas, pudemos constatar a confusão que muitos educadores fazem entre planejamento e organização. Houve casos onde se acreditava que a organização deveria estar submetida ao planejamento. O que dá para afirmar é que a organização é "o meio próprio" para a execução de um plano.

Com certeza, dizer que na escola x "tudo é organizado", poderá ser motivo de orgulho do Diretor e do Corpo Docente, mas não será garantia de que os métodos usados sejam eficientes na formação do cidadão critico e criativo, que todos desejam. Não se pode confundir planejamento com arrumação, burocracia ou aplicação rigorosa de métodos.

Planejar e organizar não são sinônimos, mas um complementa o outro. Poder-se-ia até dizer que organização é, em síntese, um planejamento eficaz.

Planejamento e Organização complementam-se; um não pode existir sem o outro, pois não há como se planejar sem organização e organizar, sem planejamento, é inócuo.
O Planejamento serve-se da Organização para se realizar, ou melhor, para possibilitar o desenvolvimento das ações do Plano.

Decálogo
a ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais


1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;

2
Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;

3
Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega de documentos na DE;

4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática, o local não será utilizado;

5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos no prédio escolar,
não haverá consertos;

6

Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio não será pintado;

7

Se não houver verba para a contratação de contador para a escola, não haverá prestação de contas à FDE;

8
Se não houver verba suficiente para a contratação de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;

9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;

10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar a escola à comunidade, não serão realizadas

A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos.

Todas as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão ser objetos de ofícios da direção às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia ao Ministério Público e propositura de Ações Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento das suas obrigações para com as unidades escolares e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.