Manifestantes
fazem "nu pedagógico" em
protesto no Dia dos Professores em SP
ANDRÉ
MONTEIRO, da Folha Online
Professores
de cinco entidades representativas fizeram um protesto inusitado
na tarde desta quinta-feira na cidade de São Paulo. Os profissionais
promoveram um "nu pedagógico" na praça da
República (centro), em frente à Secretaria Estadual
de Educação.
Mas, ao invés de tirar a roupa, eles vestiram
uma espécie de avental de cor bege com silhuetas de um corpo
nu desenhadas na frete e no verso. Rivaldo Gomes/Folha Imagem
Manifestantes vestiram um avental bege com silhuetas
de um corpo nu desenhadas em SP
"Tiramos a roupa metaforicamente para colocar à
nu a educação praticada em São Paulo", disse
Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto, presidente da Udemo (sindicato que inclui
diretores e coordenadores de educação). A manifestação
acontece na data em que é lembrado o Dia do Professores.
As entidades reivindicam, entre outras coisas, um reajuste
salarial de 27,5% para os professores da rede estadual de ensino, revisão
do plano de carreira da categoria, e a retirada do projeto de lei complementar
número 29 que, segundo os manifestantes, congela os salários
dos professores. O projeto já está pronto para ser votado
na Assembleia Legislativa, e a expectativa é que entre em pauta
na próxima terça-feira (20).
Cerca de 10 mil professores eram esperados para o protesto,
mas os organizadores afirmam que a chuva e a impossibilidade de deixar
as salas de aula impediram a participação de grande parte
dos manifestantes. A Polícia Militar ainda não divulgou
uma estimativa do total de pessoas no local, mas o protesto foi pacífico.
Participam do protesto integrantes do Udemo (Sindicato
de Especialistas de Educação do Magistério Oficial
do Estado de São Paulo), Apase (Sindicato de Supervisores do Magistério
no Estado de São Paulo), CPP (Centro do Professorado Paulista),
Afuse (Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação
do Estado de São Paulo), e da Apampesp (Associação
de Professores Aposentados do Magistério Público do Estado
de São Paulo).
Para sinalizar o que chamaram de "luto pela educação",
os manifestantes soltaram cerca de 2.000 balões de cor preta no
final do protesto, por volta das 16h.
Outro lado
A Secretaria Estadual de Educação informou
que não comentaria o protesto nem as reivindicações
dos professores
Fotos da mobilização:
Manifestação
em Rio Claro
Em Rio
Claro, a manifestação pública aconteceu no Jardim
Público, às 9 horas, apesar da chuva!.
Entre 9 e 11horas, uma média de 80 profissionais da educação,
todos vestido de preto (vestindo camiseta ESTOU DE LUTO PELA EDUCAÇÃO)
entregueram a Carta Aberta à População nos semáforos
e andamos pelas principais ruas da região central. Vejam algumas
fotos!
Decálogo
a
ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas
de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais
1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;
2 Se não houver pessoa responsável
pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;
3 Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega
de documentos na DE;
4 Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática,
o local não será utilizado;
5 Se não houver recursos para reparos e vazamentos
no prédio escolar,
não haverá consertos;
6
Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio
não será pintado;
7
Se não houver verba para a contratação
de contador para as escolas, não haverá prestação
de contas à FDE;
8 Se não houver verba suficiente para a contratação
de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;
9 Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;
10 Se as festas não tiverem o objetivo de integrar
a escola à comunidade, não serão realizadas
A
nossa escola é, por previsão constitucional, pública
e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos.
Todas
as omissões do Estado, com relação aos itens
acima, deverão ser objetos
de ofícios da direção às Diretorias
Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor
de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores
associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto
de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia
ao Ministério Público e propositura de Ações
Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento
das suas obrigações para com as unidades escolares
e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.