|
"O
Bullying enfraquece a mente, o coração, o corpo
e o espírito"
Allan
L. Beane, especialista em
prevenção e repressão ao bullying
Pais, escola e professores
devem se unir para identificar e ajudar os alunos com distúrbios,
como a hiperatividade.
Na semana passada uma
professora de uma escola de Brasília foi presa acusada
de amarrar e amordaçar um estudante hiperativo de 5
anos para "acalmá-lo".
Em
março, um caso semelhante ocorreu em Curitiba, mas
não ganhou as páginas dos jornais. Um garoto
adotado de 6 anos foi diagnosticado como hiperativo aos 12
e por isso ele se cansa de ficar em sala de aula durante muito
tempo. Na ocasião, começou à dizer a
mãe que não queria mais ir para a escola. Quando
ele conseguia convencê-lo, o menino chegava atrasado.
Um dia a professora levou para a direção devido
ao atraso. Ameaçaram chamar o Conselho Tutelar e disseram
que eles iriam tirá-lo da mãe dele. Ele ficou
apavorado com a iminente ameaça.
"Meu
filho foi adotado aos 6 anos, antes disso, viveu em abrigos,
sabe muito bem como funciona o Conselho Tutelar. Foi uma ameaça
muito pesada", conta a mãe.
Depois de sofrer bullying (intimidação em inglês),
o aluno se reusou a voltar à escola. Hoje ele estuda
em outra instituição e recebe assistência
psicológica.
Ambas
histórias retratam um novo tipo de bullying, o dos
professores em relação aos estudantes "problemáticos",
que sofrem de algum tipo de distúrbio. "O aluno
com hiperatividade, por exemplo, é colocado dentro
da sala de aula, começa a tumultuar e o professor não
sabe como lidar. Ele não está capacitado para
conduzir essa situação e acaba entrando numa
competição para medir forças", explica
a psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira
de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto.
Segundo
ela, tanto o aluno quanto o professor são vítimas
dessa situação. "Na escola pública
o aluno não valoriza o professor. Chegamos ao ponto
de que é necessário, muitas vezes, ter a interferência
mesmo do Conselho Tutelar e da Ronda (polícia escolar).
"
O psiquiatra
Bruno Mendonça Coêlho afirma que muitos professores
têm dificuldade em identificar crianças com distúrbios
e isso acontece, principalmente, pelo excesso de alunos em
sala de aula e pela falta de formação do professor.
"
Além da dificuldade em identificar uma criança
com problema, existe o preconceito dos próprios pais,
que se negam a aceitar que seu filho tem uma doença",
explica Coêlho.
E os casos não são poucos . Segundo o psiquiatra,
cerca de 40% das crianças que buscam tratamento são
diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção
e Hiperatividade (TDAH). "A dica é ficar atento
a qualquer mudança no comportamento das crianças,
o que pode indicar que existe algum problema".
A professora
Maria Lúcia Pinto Benites Chaves ministra aulas em
uma escola municipal de Pompeia, interior de São Paulo,
e sabe muito bem o que é viver essa situação.
"Tenho um aluno de 8 anos de idade hiperativo e extremamente
agressivo. Ele agride verbalmente tanto eu côo os colegas.
Fico de mãos atadas, sem saber o que fazer. Não
estamos preparados para lidar com uma situação
como essa", conta Maria Lúcia.
A professora
afirma que nunca revidou as grosserias do aluno e que sempre
tenta tratá-lo com carinho, o que não adianta,
já que ele não permite a aproximação.
"O ideal seria desenvolver um trabalho individual com
essa criança. Gostaria muito de poder voltar a estudar
e saber lidar com essa situação, mas por falta
de recursos financeiros, isso não é possível",
fala Maria Lúcia.
Medidas
Simples
Em meio
a esse turbilhão de emoções vividas por
alunos e professores, medidas simples podem ajudar a resolver
a situação durante as aulas.
A psicóloga
Rafaela Gualdi explica que a participação dos
pais é fundamental. "Eles devem estimular a criança
a contar como foi o seu dia na escola e buscar serem parceiros
da instituição". Para ela, o papel do professor
também é de extrema importância, já
que é ele quem passa boa parte do tempo com a criança.
"Ele precisa estudar buscar estreitar os laços
com o aluno e respeitá-lo para ser respeitado, sempre
com muito carinho", diz.
O norte-americano
especialista em prevenção e repressão
ao bullying. Allan L. Beane concorda com a psicóloga.
"Professores e todos os funcionários das escolas
devem se basear na seguinte regra de ouro: tratem os outros
da maneira como gostariam de ser tratados."
|
Sintomas
das Vítimas
>
Mudança repentina na vontade na vontade de ir para
a escola.
>
Mudança repentina nas notas (ficam mais baixas).
>
Perda de interesse em atividades realizadas pelo professor.
>
Ferimentos físicos inexplicáveis, como coceiras
e machucados
>
Dores de cabeça e estômago frequentes
>
Perda de apetite
>
Pesadelos
>
Mudança repentina no humor (tristeza, depressão
, raiva, ansiedade, etc)
>
Perda de autoestima e autoconfiança
>
Prática de bullying com outras pessoas.
Dicas
para os Professores
>
Diminua as distrações, colocando a carteira
da criança próxima à sua mesa em um lugar
mais calmo.
>
Siga uma rotina estrita e estabeleça intervalos entre
pequenos momentos de trabalho.
>
Monte um esquema com itens das tarefas que devem ser cumpridas
pelo aluno. Isso ajudará a mantê-lo focado.
>
Frequentemente, peça ao aluno que repita as instruções
oralmente
>
Ajuste sua expectativa em relação ao aluno com
a real possibilidade dele cumprir as tarefas. Muitas vezes,
crianças com TDAH não podem cumprir a mesma
quantidade e trabalho que os demais.
>
Concentre-se em lidar apenas com problemas comportamentais
sérios para que o aluno não se sinta oprimido
>
Monte um esquema com boas maneiras e o relembre sempre sobre
manter um bom comportamento.
|