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Matéria
publicada no jornal Folha de São Paulo, de 29/06/10
Apostila melhora nota de
aluno em SP
Estudo mostra
que estudantes de escolas públicas que usaram o sistema se
saíram melhor na Prova Brasil
Diferença
é que material tem indicação de conteúdos
a serem dados aula por aula; uso do método cresceu
Alunos
de escolas públicas municipais de São Paulo que usam
apostilas de sistemas de ensino estatais ou privados se saem melhor
que os demais na Prova Brasil.
Esta é
a conclusão de um estudo que será apresentado hoje
no seminário Sala de Aula Estruturada, organizado pela Fundação
Lemann.
É o
primeiro estudo empírico a identificar impacto significativo
na nota dos alunos e relacionar essa melhoria ao uso de apostilas.
O uso de material
elaborado por sistemas de ensino tem crescido em São Paulo,
e hoje 46% dos municípios do Estado utilizam o material substituindo
ou complementando livros didáticos.
São, em sua maioria, cidades de pequeno porte que gastam
de R$ 150 a R$ 200 por aluno por ano para usar um sistema de ensino.
A principal
diferença entre o livro e um sistema é que, no segundo
caso, o material didático já vem estruturado, com
a indicação de conteúdos a serem dados aula
por aula. No caso do livro, cabe principalmente ao professor elaborar
os planos de aula.
Os defensores
do uso de sistemas argumentam que eles trazem orientações
claras para os professores sobre o planejamento das aulas. Os críticos
lembram que eles não são avaliados pelo MEC (como
acontece com livros didáticos) e representam um gasto extra,
já que os livros são dados pelo ministério.
Ao analisar
a Prova Brasil de 2007 (exame federal que avalia a qualidade da
educação pública), os pesquisadores Paula Louzano,
Francisco Soares e Ana Carolina Zogbi identificaram que escolas
que trabalham com as apostilas tiveram médias superiores
em cinco pontos na escala da Prova Brasil em português e matemática.
"Se levarmos
em conta que a escala é elaborada considerando que a cada
ano os alunos progridem 12 pontos, estamos falando de um impacto
que representa praticamente meio ano letivo", explica Paula
Louzano.
A comparação
das notas considera também outras características
que, sabidamente, tem grande impacto no rendimento dos alunos, como
escolaridade dos pais, formação do professor ou infraestrutura
da escola.
É como
se fossem comparados só alunos com as mesmas características
em escolas de perfil semelhante para, a partir daí, identificar
o impacto do uso de apostilas.
Além
de grupos educacionais privados, a Prefeitura de São Paulo
e o governo do Estado também trabalham com material próprio
estruturado.
Esses sistemas
públicos são oferecidos a outros municípios
-aumentando de 18 para 73 o número de secretarias usando
as apostilas de 2009 para 2010. Já nas particulares, caiu
de 229 para 218.
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