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Matéria publicada
no jornal Folha de São Paulo, de 21/06/10
Parceiros
da Educação: aplaudir ou lamentar?
Projeto suscita
reflexões sobre a atribuição do Estado na educação
NÃO SERIA UMA MANEIRA
DE REMEDIAR FALHA DO PODER PÚBLICO NA PROMOÇÃO
DE UM ENSINO DE QUALIDADE?
SILVIA COLELLO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Temos que aplaudir quando
segmentos da sociedade se preocupam com a educação
pública, comprometendo-se com formação integral
dos alunos e, consequentemente, com fortalecimento da sociedade
democrática.
É o caso do Parceiros
da Educação, no qual empresários lidam com
as dificuldades do ensino, investindo em quatro frentes: infraestrutura,
gestão, desempenho pedagógico e integração
da escola com a comunidade.
Se é verdade que
contribui para a boa imagem das empresas, é igualmente verdadeiro
que as maiores beneficiadas são as escolas. Os resultados
são imediatos e muito significativos. Em sete meses de 2009,
houve aproveitamento 34% maior dos alunos do ensino médio.
No fundamental, o índice
aparentemente tímido de 8,9% na evolução geral
das disciplinas incorpora o crescimento notável de 70% nas
médias de língua portuguesa nas duas primeiras séries.
Dois fatores parecem
explicar essa eficiência. Em primeiro lugar, as intervenções
dos Parceiros da Educação, balizadas pelo diagnóstico
da escola, costumam incidir sobre necessidades da instituição
ou dos alunos.
Em segundo, a natureza
das intervenções, que recentemente vem priorizando
o apoio pedagógico, em especial, a formação
do professor.
Embora não se
desconsidere contribuições à infraestrutura,
é na qualidade da prática de ensino que o investimento
se faz mais significativo.
Independentemente dos
méritos, o projeto suscita reflexões sobre a responsabilidade
do Estado na garantia da educação básica. Embora
não pretenda se configurar como uma medida assistencialista,
não seria um modo de remediar o fracasso do poder público
na promoção do ensino de qualidade?
Uma vez dependentes do
setor privado, não estariam as escolas à mercê
das iniciativas de boa vontade que podem ser canceladas ao final
dos cinco anos previstos? Finalmente, resta lamentar pelas escolas
que não tiveram este tipo de benefício: até
quando vamos nos conformar com escolas pichadas, instalações
precárias, desajustes administrativos e professores desmotivados?
SILVIA M. GASPARIAN COLELLO
é docente da Faculdade de Educação da USP
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