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Matéria publicada
no jornal Folha de São Paulo, de 21/06/10
Programa qualifica
docente e melhora nota de estudantes
Evolução no desempenho dos alunos ocorreu após
empresários adotarem escolas públicas em São
Paulo
Resultado só
apareceu, porém, quando grupo passou a capacitar professores,
em vez de investir só em obras
FÁBIO
TAKAHASHI
DE SÃO PAULO
Por anos, empresários
que "adotaram" escolas públicas em SP gastaram
milhares de reais em reformas de salas de aula, compras de computadores
e obras em quadras. As notas dos estudantes, porém, seguiam
empacadas.
Há três
anos, o programa decidiu mudar. A capacitação dos
professores passou a ter mais destaque, os alunos tiveram mais recuperações.
O resultado apareceu
neste ano. Na avaliação estadual divulgada em fevereiro,
que considera notas em português e matemática, 90%
das escolas participantes da parceria superaram a meta da Secretaria
da Educação no Idesp (índice do governo).
"As condições
de trabalho estavam melhores, e as pessoas, mais felizes. Mas o
impacto só veio mesmo quando focamos o pedagógico",
afirma Jair Ribeiro, executivo da CPM Braxis e um dos coordenadores
do programa, o Parceiros da Educação.
O pouco impacto da infraestrutura
das escolas nas notas já apareceu em outros levantamentos.
A Folha, por exemplo, constatou que CEUs e escolas de lata tinham
desempenhos semelhantes na Prefeitura de SP.
PAISAGISMO
Adotada pelo Grupo ABC, que tem o publicitário Nizan Guanaes
como presidente, a escola Francisco Brasiliense Fusco, no Campo
Limpo (zona sul de SP), teve o telhado reformado, o que tirou pombas
e ratos dos corredores.
A sala de informática,
que tinha dez computadores antigos, passou a ter 40 modernos. Nizan,
que também é colunista da Folha, chamou profissionais
que trabalharam no projeto da sua própria casa para a reforma.
Limpo e com arquitetura
nova, o colégio era um daqueles que não decolavam
nas notas. De 2007 para 2008, o índice da quarta série
recuou. Naquele ano, a formação de docentes se intensificou.
E o Idesp subiu 50%.
Como as demais escolas
do programa, ela passa por avaliações da Fundação
Cesgranrio, que apontam exatamente quais são as dificuldades
dos professores, o que motivam cursos específicos.
Em matemática,
as maiores demandas nos colégios são em geometria,
operações e lógica. Em português, produção
de textos. "Os professores têm dificuldades básicas",
diz Lúcia Fávero, diretora-executiva do projeto.
A atuação
nas escolas não é totalmente pacífica. Segundo
profissionais da ONG, alguns professores veem interferência
em seu trabalho.
Há 82 escolas
"adotadas". O programa espera chegar a 500, quase 10%
da rede. "É impossível o Estado dar atenção
individualizada. Queremos potencializar os recursos públicos",
diz Ribeiro, um dos coordenadores.
Segundo ele, as empresas
participantes -como Pão de Açúcar, Bradesco
e Porto Seguro- não têm benefício financeiro.
O gasto anual médio é de R$ 100 mil. E as companhias
convivem com dificuldades da rede pública, como falta de
professores.
No último dia
27 à tarde, quando a Folha visitou a escola no Campo Limpo,
três classes estavam sem aula, por falta de professor.
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