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Matéria
publicada no jornal Folha de São Paulo, de 25/05/10
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formatos
ROSELY SAYÃO
Qualquer pessoa, homossexual
ou não, pode oferecer amor, cuidados e proteção
para uma criança
JÁ FAZ TEMPO que discutimos as mudanças ocorridas
nas famílias. A separação, o divórcio
e os recasamentos provocaram grandes modificações
no grupo tradicionalmente formado por um homem e uma mulher com
filhos.
Há
20 anos, surgiu uma nova discussão: a formação
de grupos familiares baseados em um casal de pessoas do mesmo sexo.
Não
faltou quem defendesse a configuração familiar tradicional
em nome do desenvolvimento "sadio" das crianças.
Quando
casais começaram a se separar, diziam que seus filhos tinham
todos os riscos de serem "problemáticos". Mas essa
profecia não se realizou.
Mesmo
com a visibilidade da condição homossexual de pessoas
que lutam por uma vida digna, com os mesmos direitos civis de todos,
ainda há preconceito. E as crianças têm sido
usadas como o fiel da balança.
O
que é importante para o desenvolvimento saudável de
uma criança? Que ela seja amada, primeiramente. E não
se trata de enchê-la de abraços e beijos.
Trata-se
de um amor que se expressa em cuidados, na proteção
sem exagero e na presença adulta para a introdução
da criança nas relações com os outros.
Ora,
qualquer pessoa pode, potencialmente, oferecer isso, seja homossexual
ou não, separada ou não. Do mesmo modo, qualquer um
pode não ter disponibilidade para oferecer esse contexto
a um filho.
Então,
para a criança, pouco importa a configuração
familiar a que pertence. Importa que a família lhe ofereça
o sentimento de pertencimento e que sirva como guia na introdução
à vida em grupo. Todo adulto tem compromissos humanos e éticos
com as crianças, responsáveis por nosso futuro. Isso
implica muitas responsabilidades, como a de superar preconceitos.
Temos obrigação de olhar para os novos contextos familiares
somente sob a ótica da paternidade ou maternidade responsáveis.
roselysayao@uol.com.br
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