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Matéria publicada
no jornal Folha de São Paulo, de 13/05/10
Juventude e maturidade
ROSELY SAYÃO
O relacionamento
dos pais com os filhos adolescentes não tem sido fácil.
Além
da fase complexa pela qual os jovens passam e que os leva a agir
de modo diferente do que seus pais estavam acostumados -e que deixa
os adultos um pouco perplexos e sem ação-, a situação
está ainda mais difícil por causa de nossa cultura
em relação à juventude.
Ser jovem deixou de ser uma etapa da vida para se transformar em
um estilo de viver. Isso significa que, quando a criança
entra na adolescência, ela passa a se relacionar com adultos
iguais a ela, ou seja, tão jovens quanto ela.
Na questão
educativa, esse é um fato complicador. A adolescência
é o tempo de amadurecer, mas, se os pais não ajudarem
o filho a entrar na maturidade, ele continuará a agir de
modo infantilizado.
Todos
conhecem jovens que estudam e... só. No restante do tempo
da vida, eles consomem, frequentam festas, namoram e desfrutam da
sexualidade, jogam, ficam na internet.
Em resumo:
eles estudam sob uma enorme pressão de êxito não
apenas por parte da família como de toda a sociedade e permanecem
prisioneiros de seus caprichos impulsivos.
Para muitos, esse é o momento de buscar desafios para evitar
o tédio que se instala nesse tipo de vida.
Alguns
encontram as drogas, outros desafiam a morte por meio de, por exemplo,
esportes radicais, outros se dedicam exaustivamente ao culto do
corpo perfeito e muitos outros ficam doentes.
O índice
de suicídio entre jovens tem crescido no mundo todo, inclusive
no Brasil. Aqui, tem aumentado a taxa que envolve a população
entre 15 e 29 anos de idade.
Isso significa que eles precisam muito dos pais nesse momento da
vida. E o que seus pais podem fazer?
Em primeiro
lugar, podem bancar o lugar de adultos perante o filho adolescente,
não esmorecer nem tampouco desistir, por mais árdua
que a tarefa educativa pareça.
É preciso lembrar que pode ser difícil, mas impossível
não é, como tenho ouvido muitos pais declararem.
O filho
precisa da ajuda dos pais, por exemplo, para aprender a retardar
e mesmo suspender o prazer que busca, para saber dividir seu tempo
entre várias atividades e obrigações, para
se abrir para as outras pessoas e buscar modos de viver bem com
elas.
Precisa
de auxílio também para colaborar com o grupo familiar
e para dar conta de várias outras responsabilidades consigo
mesmo e com os outros, para desenvolver virtudes e para, sempre
que conjugar o verbo "querer", aliar a ele outros dois:
o "dever" e o "poder".
Para tanto,
os pais precisam aprender a ceder algumas vezes e a ouvir o que
seu filho diz -seja por meio de palavras, seja por atitudes.
Ouvir
não significa atender, mas considerar a dialogar e a negociar.
E essa talvez seja a palavra chave do relacionamento entre pais
e filhos dessa faixa etária.
Negociar
conflitos e demandas com o filho é uma maneira de os pais
o ajudarem a perceber que ele pertence a um grupo que segue alguns
valores e princípios que são inegociáveis,
mas que, ao mesmo tempo, reconhecem o crescimento do filho e, por
isso, valorizam sua busca de autonomia.
Mas essa
negociação deve priorizar a exigência do desenvolvimento
de sua maturidade.
A responsabilidade
dos pais é grande nesse momento da vida do filho e não
apenas com a família e com ele próprio.
Afinal,
são esses jovens adolescentes que serão os responsáveis
por nosso futuro bem próximo.
INDICAÇÃO
Um bom filme nacional para assistir que envolve o tema de nossa
conversa de hoje é "O Bicho de Sete Cabeças"
de Laís Bodanzky.
Bicho de Sete Cabeças
Diretora: Laís Bodanzky
Classificação indicativa: 14 anos
ROSELY
SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar
Meu Filho?" (ed. Publifolha)
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