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Matéria publicada em "O Povo", 11/05/2010 - Fortaleza CE

O enigma da Educação

Paira em torno da educação unanimidade e consenso tais que parecem tornar supérfluos quaisquer discursos. Em nada culparia eu o leitor que pelo mote do artigo já dele desista. Afinal, o que há de novo a acrescer no que todos já concordam? Nenhum de nós viverá para ver um político pronunciar-se contra a educação. Daí, o enigma: se assim é, porque não se traduz tal consenso em ação concreta que sane o calamitoso estado de precariedade em que a educação pública do país se encontra?

Eis a resposta, quase óbvia: porque educação universal, em tempo integral, de qualidade - da qualidade que a cidadania e a sustentabilidade do desenvolvimento do país requerem - custa caro. Muito caro. Ou seja, a questão da educação não se resolve em voluntarismos, cursos de fim de semana ou pisos rebaixados. Solução só há com o massivo ingresso do vil metal. Alguns dirão, com uma ponta de razão e um muito de dissimulação: dinheiro só não resolve. E daí, falaciosamente concluem, a melhoria da educação não é questão de dinheiro. Errado! Reprovados por média em lógica básica e aritmética elementar. Também em moral e cívica, sobretudo na primeira, se ainda houvera. A síntese lógica é simplesmente a seguinte: uma maciça injeção de recursos na educação não é condição suficiente para tê-la em cobertura universal e qualidade satisfatória, pois se pode muito bem mal aplicá-los, mas é condição necessária: não há solução sem eles.

Se não, façam as contas. São 50 milhões de alunos a requererem, para uma escola em tempo integral, três milhões de professores. Para tornar a ocupação de professor do ensino básico uma profissão digna, capaz de atrair jovens de talento e brilho, é preciso instituir uma carreira isônoma à de professor do ensino superior, que já não é grande coisa. Uns R$ 5 mil iniciais e uns R$ 12 mil ao término. Isto, fizeram todos os países que lograram resolver sua questão educacional. "Aquilo que só no Brasil existe e não é jabuticaba, é pura besteira".

Tarcísio Pequeno Professor de Lógica e Inteligência Artificial da Universidade de Fortaleza