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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 03/03/10 País só cumpre 33% de metas de educação Relatório mostra que ainda há alta repetência, a taxa de universitários é baixa e o acesso à educação infantil está longe do proposto Estudo de pesquisadores de universidades federais abrange o período de 2001 a 2008, incluindo dois anos de governo FHC e seis de Lula ANGELA PINHO
LARISSA GUIMARÃES DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Enquanto petistas e tucanos fazem alarde dos seus feitos
na educação, um dos levantamentos mais abrangentes já
realizados sobre a última década revela que os avanços
na área foram insuficientes. Apenas 33% das 294 metas do Plano
Nacional de Educação, criado por lei em 2001, foram cumpridas. Relatório obtido pela Folha, feito sob encomenda
para o Ministério da Educação, aponta alta repetência,
baixa taxa de universitários -apesar dos programas criados nos
últimos anos- e acesso à educação infantil
longe do proposto. O estudo, que abrange o período de 2001 a 2008,
foi feito por pesquisadores de universidades federais, com apoio do
Inep (instituto de pesquisa ligado ao MEC). O plano foi criado com o objetivo de implantar uma política
de Estado para a educação que sobrevivesse às mudanças
de governo. As metas presentes nele são de responsabilidade dos
três entes federados, mas municípios têm mais atribuição
pela educação infantil e fundamental; Estados, pelo ensino
médio; e a União, pela articulação de políticas. O estudo traz indicadores relativos ao período
de 2001 a 2008 -dois anos de governo FHC e seis de Lula. Para muitas
metas, não há nem sequer indicador que permita o acompanhamento
da execução. Em outros casos, em que há indicadores claros,
há um longo caminho pela frente. A educação infantil
é um exemplo. O plano previa que 50% das crianças de 0 a 3 anos
estivessem matriculadas em creches até 2010. É o que a
faxineira Adriana França dos Reis, 32, desejava para sua filha,
que chegou aos quatro anos sem conseguir vaga. "Quanto mais cedo
ela entrar na escola, sei que mais longe ela vai chegar", diz.
Segundo o IBGE, só 18,1% das crianças de até três
anos estavam em creches em 2008. Já o ensino fundamental foi quase universalizado
e aumentou de oito para nove anos. No ensino médio, o obstáculo é já
no atendimento. Na faixa etária considerada adequada para a etapa
(15 a 17 anos), 16% estão fora da escola. Na educação
superior, o plano estabelecia uma meta de 30% dos jovens na universidade.
Em 2008, o índice estava em 13,7%. O objetivo número um na educação
de jovens e adultos, a erradicação do analfabetismo, está
longe de ser alcançado. O Brasil ainda tem 14 milhões
de pessoas de 15 anos ou mais que não sabem escrever. Para João Oliveira, professor da UFG (Universidade
Federal de Goiás) e um dos responsáveis pela pesquisa,
uma das principais causas dos problemas na execução do
PNE foi o veto à meta que previa um aumento expressivo nos recursos
destinados à educação: 7% do PIB em educação
até 2010. Prevista na proposta aprovada no Congresso, foi
vetada por FHC, que terminou seu mandato com um investimento de 4,8%.
A decisão do tucano foi duramente criticada por petistas, que,
em 2007 (dado mais recente disponível), já no poder, tinham
aumentado o percentual apenas para 5,1%. Sem financiamento, diz Oliveira, o plano acabou
perdendo força, pois impôs deveres aos governos sem viabilizar
recursos para o cumprimento deles.
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