Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 17/02/10

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Sobram vagas

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NÃO SE deixam para trás com a facilidade vendida por discursos ufanistas mais de duas décadas de crescimento econômico muito baixo.

Não há dúvida de que políticas econômicas responsáveis, no âmbito interno, e uma conjuntura externa favorável ajudaram o país a superar alguns dos constrangimentos que limitavam sua capacidade de crescimento. Mas os custos da estagnação e da falta de investimentos públicos do passado ainda se fazem presentes na péssima infraestrutura do país, por exemplo, ou na escassez de mão de obra qualificada.

Dados do Sine -uma rede pública de agências de emprego, associada ao Ministério do Trabalho- mostram que apenas 39% das vagas ali oferecidas em 2009 foram preenchidas. Em 2008, na mesma rede, 42% haviam sido ocupadas; no ano anterior, 48%.

Ou seja, mesmo com um índice de desemprego ainda relativamente alto, de 8,9% no ano passado, o país vive o paradoxo de criar vagas e não encontrar profissionais que as preencham. A explicação, dizem as empresas, está sobretudo na escolaridade precária dos trabalhadores.

O fenômeno já se fazia sentir com força, no final de 2009, na procura por engenheiros. Agora se vê que a carência de profissionais se espraia para vários níveis de formação -sobram vagas para farmacêuticos mas também para eletricistas e torneiros.

Trata-se de um problema grave, para o qual não há solução simples nem imediata. A rede educacional do país, com suas falhas e distorções distribuídas do ensino fundamental à universidade, mostra-se incapaz de oferecer ao mercado de trabalho mão de obra competente.

Sempre presente de forma retórica no debate público, a educação parece fadada, neste ano, a finalmente ocupar posição de real destaque na campanha para a Presidência.

Em contraste com as generalidades do passado, espera-se que os candidatos digam o que planejam, de forma específica, para um setor estratégico para o país.

 

Decálogo
a ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais


1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;

2
Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;

3
Se não houver pessoal de secretaria,
de acordo com o módulo, não haverá entrega de documentos na DE;

4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática, o local não será utilizado;

5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos no prédio escolar,
não haverá consertos;

6

Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio não será pintado;

7

Se não houver verba para a contratação de contador para as escolas, não haverá prestação de contas à FDE;

8
Se não houver verba suficiente para a contratação de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;

9
Se a mão de obra provisória
não for qualificada, será recusada;

10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar a escola à comunidade, não serão realizadas

A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão ser objetos de ofícios da direção às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia ao Ministério Público e propositura de Ações Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento das suas obrigações para com as unidades escolares e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.