Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 14/01/10

Tudo integrado

Autor de livro sobre medicina integrativa, cirurgião fala sobre a combinação de várias terapias

[...] SE UM PACIENTE FAZ MEDITAÇÃO PORQUE SE SENTE MELHOR E EU SEI QUE ESSA PRÁTICA É EXCELENTE PARA REDUZIR O ESTRESSE E MELHORAR A PRESSÃO, DIGO QUE ELA É FUNDAMENTAL PARA O TRATAMENTO


PATRICIA CERQUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O médico Paulo de Tarso Lima, 44, tinha uma carreira comum de cirurgião. Atendia pacientes, fazia cirurgias, acompanhava pós-operatório.

Há alguns anos, passou a se incomodar com a qualidade do atendimento que oferecia. Percebia que não estava acolhendo as expectativas dos pacientes, que desejavam uma atenção mais global. Ao procurar informações sobre como podia ir além do atendimento comum, chegou à medicina integrativa.

Autor do recém-lançado "Medicina Integrativa - A Cura Pelo Equilíbrio" (MG Editores, 144 págs., R$ 32,20), o primeiro em português sobre o tema, o médico, que coordena o Departamento de Medicina Integrativa e Complementar do hospital Albert Einstein, explicou à Folha o que é essa modalidade.

FOLHA - O que é a medicina integrativa?
PAULO DE TARSO LIMA - É a integração de todos os tipos de terapia com evidências acadêmicas, sejam elas convencionais ou complementares.

Se um paciente me diz que faz meditação porque se sente melhor e eu sei que essa prática é, comprovadamente, excelente para reduzir o estresse e melhorar a pressão arterial de fundo emocional, digo que o que ele está fazendo é fundamental para o tratamento. Aceito a união da alopatia com a meditação para promover bem-estar. E, ao validar a terapia do meu paciente, estou dando poder a ele e incentivando o autocuidado. Uma das premissas da medicina integrativa é promover saúde, é ir além da cura.

FOLHA - Como descobriu a medicina integrativa?
LIMA - Passei por uma insatisfação profissional. Achava que faltava algo no tratamento com meus pacientes. Eles não se sentiam amplamente cuidados.

Ao buscar informações, cheguei à Universidade do Arizona, onde foi fundado o primeiro curso de medicina integrativa.

Essa modalidade começou nos anos 70 nos Estados Unidos. Hoje está em 44 das 125 faculdades de medicina de lá. A proposta é olhar o paciente todo -corpo, mente e espírito-, e não apenas uma parte dele. É uma medicina holística, mas preocupada em dar atenção individualizada ao aceitar o que o paciente deseja e não impor o que ele deve fazer.

FOLHA - Na teoria, essa integração parece ideal, mas não é o que se vê na prática. Por quê?
LIMA - O sistema de saúde brasileiro ainda não investe na promoção de saúde, e o ambiente de trabalho dos profissionais de saúde é ruim. Além disso, existe um grupo de céticos. Muitos praticam essa medicina, mas não dão o nome de integrativa.

FOLHA - Dá para praticá-la com pacientes do SUS?
LIMA - Sim. A consulta não precisa ser demorada. Basta o médico abrir o diálogo e pesquisar sobre o tema. Algumas prefeituras já disponibilizam serviços de acupuntura, shiatsu, consultas com homeopatas.

FOLHA - Quais os desafios da medicina integrativa no Brasil?
LIMA - Tem de haver um reposicionamento dos profissionais para que promovam saúde, e não apenas cura. Eles têm de se cuidar mais. Quando ocorrer isso, eles vão agir da mesma forma com o paciente.
Um desafio prático é a criação de um banco de dados, em português, das práticas complementares e alternativas que têm comprovação científica.

Eu valido a fé porque há estudos ligando o divino à melhora do bem-estar. Já a associação de alguns fitoterápicos ao tratamento convencional pode ser perigosa, porque eles interagem e a ação do remédio muda

 

Decálogo
a ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais


1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;

2
Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;

3
Se não houver pessoal de secretaria,
de acordo com o módulo, não haverá entrega de documentos na DE;

4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática, o local não será utilizado;

5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos no prédio escolar,
não haverá consertos;

6

Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio não será pintado;

7

Se não houver verba para a contratação de contador para as escolas, não haverá prestação de contas à FDE;

8
Se não houver verba suficiente para a contratação de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;

9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;

10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar a escola à comunidade, não serão realizadas

A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão ser objetos de ofícios da direção às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia ao Ministério Público e propositura de Ações Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento das suas obrigações para com as unidades escolares e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.