|
||
|
Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 05/12/09 Veto a criança menor de 6 anos no 1º ano divide educadores Há quem apoie a medida e quem veja interesse econômico, não pedagógico RICARDO WESTIN Desrespeito à autonomia dos colégios, decisão
que favorece o desenvolvimento das crianças e medida com fins econômicos. Essas avaliações tão distintas umas
das outras foram feitas por especialistas em educação a
respeito do projeto de lei que o Ministério da Educação
enviará ao Congresso Nacional determinando que apenas crianças
com seis anos completos no início do ano letivo poderão
ser matriculadas no primeiro ano do ensino fundamental. O MEC se preocupa porque cada rede estadual e municipal
segue uma regra própria. Os colégios particulares também
vão por caminhos variados. Essa falta de unidade faz com que uma criança de
cinco anos seja aceita numa escola e recusada em outra. Aprovado o projeto,
crianças de cinco anos não poderão ser matriculadas. Para o professor Remi Castioni, da UnB (Universidade de
Brasília), o MEC fere a autonomia dada às escolas pela LDB
(Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). "Embora digam que a educação é
libertadora, os educadores adoram uma lei. O MEC determina todas as regras,
e as escolas ficam sem poder usar a criatividade", diz. "A escola
tem de analisar cada aluno. Há criança de cinco anos que
pode estar no primeiro ano." A coordenadora do colégio Aubrick (zona sul de São
Paulo), Silvia Camargo, é favorável a uma regra nacional,
mas não à data de corte estabelecida pelo MEC -o aniversário
antes do início do ano letivo. "A criança que completa seis anos até
junho tem maturidade para entrar no ensino fundamental", afirma ela. Em outra linha crítica, o presidente do sindicato
dos colégios privados do Paraná, Ademar Batista Pereira,
afirma que a preocupação do MEC não é pedagógica.
"O interesse é econômico. O governo não tem condições
de atender a mais crianças de primeiro ano nas escolas públicas." Pereira diz que, de qualquer forma, os colégios
particulares seguirão as normas definidas. Atualmente, no Paraná,
as crianças de cinco anos podem ser matriculadas no primeiro ano,
ainda que completem seis anos apenas em dezembro. A professora Iraíde Barreiro, da Unesp (Universidade
Estadual Paulista), concorda com o MEC. "Crianças de cinco
anos precisam brincar, e não ser alfabetizadas. A decisão
[do MEC] ajuda a assegurar a infância dessas crianças." A partir do ano que vem, o ensino fundamental de oito anos (da primeira à oitava série) deixará de existir no Brasil. Terá nove anos (do primeiro ao nono ano), como já ocorre em algumas escolas. O ano extra foi acrescentado no início do ciclo
|
|
|
|
||