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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 19/11/09 Futuro universal Wilson Jacob Filho [...] TODOS TÊM E TERÃO CADA VEZ MAIS AS SUAS VIDAS ALTERADAS PELA PROGRESSIVA CAPACIDADE DE VIVER MAIS Venho insistindo, há muito tempo, que o envelhecimento
populacional será um dos temas de maior importância para
o futuro da humanidade. Não há quem ou o que possa ser considerado
alheio a essa realidade ou intangível por essa fantástica
mudança da composição etária da população. Do mais simples cidadão das muitas comunidades carentes
ao mais notório dentre os abastados, todos têm e terão
cada vez mais as suas vidas alteradas por essa progressiva capacidade
de viver mais. Uma das evidências mais marcantes da necessidade
de disseminar esse conceito ocorreu, para mim, há mais de 20 anos,
quando ministrava a palestra inicial do curso de geriatria aos alunos
do quarto ano da Faculdade de Medicina da USP. Entre os dados nacionais e internacionais que demonstravam
as expectativas de envelhecimento populacional para o século 21,
convidava-os a pensar que essas perspectivas seriam determinantes de inúmeras
mudanças no exercício profissional, fosse qual fosse a futura
especialização deles. Uma das alunas me interpelou: "O meu não, professor.
Pretendo ser pediatra e, ao que me consta, as crianças continuarão
sendo crianças". Risos coletivos denunciaram algo do tipo
"te pegou". O plano individual, teremos maior chance de viver mais
e, por isso, torna-se necessário um planejamento a médio
e longo prazos para que possamos envelhecer com saúde. No aspecto
coletivo, conviveremos cada vez mais com aqueles que envelhecem, o que
nos torna parte integrante do planejamento de vida de um número
progressivamente maior de pessoas. E, no campo profissional, cada vez
mais o cliente será idoso. Seja dentista, seja anestesista, todos
terão que atender o idoso com a mesma segurança e capacidade
profissional com que o fariam com outras faixas etárias". Os rumores e risos, que tinham se aquietado, voltaram,
visto que eu não havia tocado na questão formulada. Completei: "Mesmo você, futura pediatra, terá
que se ocupar dessa questão. Em parte porque estará cuidando
de uma criança cuja expectativa de vida será maior do que
foi a sua e muito maior do que foi a minha, quando nascemos. Além
disso, seu interlocutor será, na maioria das vezes, um idoso. Recentemente, encontrei essa pediatra em um congresso. Antes mesmo que nos cumprimentássemos, ela
se adiantou, com um sorriso: "Toda a vez que atendo um cliente acompanhado
da avó ou da bisavó, lembro de você". WILSON JACOB FILHO é professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas (SP)
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