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Matéria
publicada no Jornal Folha de São Paulo, 13/10/2009 - São
Paulo SP
Ao
mestre, com desprezo
RUY
CASTRO
RIO DE JANEIRO - Em março, um professor de história, filho
de um amigo meu, foi desacatado em sala por três alunos num colégio
em Moema, zona sul de São Paulo. O mestre deu queixa na diretoria.
Esta apoiou os desordeiros. O professor pediu demissão e foi para
casa, onde teve uma crise nervosa. Passa agora por uma síndrome
do pânico. A orientadora da escola, única pessoa a apoiá-lo,
foi demitida. Este é um colégio de classe média,
em que os alunos se sentem com privilégios pelo fato de pagar altas
mensalidades. Mas, nas escolas públicas, a realidade é ainda
pior. Mais de cem casos de alunos que desrespeitam professores são
relatados diariamente à Secretaria Estadual da Educação
de São Paulo por um sistema de registro de ocorrências do
gênero. A maioria dos casos vem da região metropolitana de
São Paulo.
São alunos que desprezam a liturgia
da escola, saem da sala sem autorização do professor e o
ofendem verbalmente quando ele ousa protestar contra a zorra. Usam toda
espécie de aparelho eletrônico durante a aula, de celular
a iPod, e, certos da impunidade, destroem equipamentos ou instalações
da escola na frente dos colegas e funcionários. Uma das principais
diversões é pôr fogo nas lixeiras. É o terror.
As escolas cogitam instalar câmeras em suas dependências,
para ter provas documentais contra os vândalos e padronizar as informações,
o que permitirá estabelecer estratégias de combate à
violência. Mas nada impede que os cafajestes -difícil chamá-los
de alunos- roubem também as câmeras e riam das estratégias.
Os jovens valentões que agrediram o professor em Moema (aliás,
com o apoio da classe) foram expulsos do colégio meses depois.
Mas não por indisciplina. Deixaram-se apanhar traficando drogas
dentro das instalações.
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Decálogo
a
ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas
de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais
1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;
2
Se não houver pessoa responsável
pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;
3
Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega
de documentos na DE;
4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática,
o local não será utilizado;
5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos
no prédio escolar,
não haverá consertos;
6
Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio
não será pintado;
7
Se não houver verba para a contratação
de contador para as escolas, não haverá prestação
de contas à FDE;
8
Se não houver verba suficiente para a contratação
de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;
9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;
10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar
a escola à comunidade, não serão realizadas
A
nossa escola é, por previsão constitucional, pública
e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos.
Todas
as omissões do Estado, com relação aos itens
acima, deverão ser objetos
de ofícios da direção às Diretorias
Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor
de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores
associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto
de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia
ao Ministério Público e propositura de Ações
Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento
das suas obrigações para com as unidades escolares
e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.
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