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Matéria
publicada no jornal Folha de São Paulo, de 04/10/09
Professor
faz bico para completar renda mensal
JEAN-PHILIP STRUCK
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Desanimados por causa do salário que julgam ser
baixo, professores iniciantes da rede pública de São Paulo
completam o orçamento com outras atividades e pensam em desistir.
"Já cheguei a vender mel na rua, trabalhei
com parente em marcenaria", afirma Carlos Guimarães, 25, professor
de biologia numa escola estadual da zona sul de São Paulo.
Há três anos trabalhando como professor substituto,
ele recebe R$ 6,50 por uma aula de 50 minutos. Seu salário foi
de R$ 200 em setembro. Pensa em desistir. "Para estar aqui, passando
essa humilhação como professor, vou ser balconista, que
pelo menos tem férias."
José Carlos Suci Jr., 24 anos, é um caso
diferente. Efetivado em fevereiro de 2008, ganha cerca de R$ 1.600 (incluindo
gratificações e auxílios).
Ele afirma ser um salário baixo para um professor.
Para "garantir a sobrevivência" e por paixão, Suci
também trabalha como artista plástico. "Não
estou gostando da escola por causa do salário e do estresse. É
muito trabalho para pouco retorno.
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Decálogo
a
ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas
de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais
1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;
2
Se não houver pessoa responsável
pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;
3
Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega
de documentos na DE;
4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática,
o local não será utilizado;
5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos
no prédio escolar,
não haverá consertos;
6
Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio
não será pintado;
7
Se não houver verba para a contratação
de contador para as escolas, não haverá prestação
de contas à FDE;
8
Se não houver verba suficiente para a contratação
de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;
9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;
10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar
a escola à comunidade, não serão realizadas
A
nossa escola é, por previsão constitucional, pública
e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos.
Todas
as omissões do Estado, com relação aos itens
acima, deverão ser objetos
de ofícios da direção às Diretorias
Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor
de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores
associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto
de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia
ao Ministério Público e propositura de Ações
Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento
das suas obrigações para com as unidades escolares
e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.
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