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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 28/09/09 Gasto de R$ 2 bi reduz pouco o analfabetismo Seis anos após início do programa Brasil Alfabetizado, índice nacional caiu apenas 13% entre 2004 e 2008, segundo o IBGE Para MEC, queda não é proporcional ao esforço; 1 de cada 10 brasileiros com 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever um bilhete simples MARTA SALOMON Lançado seis anos atrás com a meta de erradicar
o analfabetismo no país, o programa Brasil Alfabetizado já
consumiu mais de R$ 2 bilhões até este ano, mas o índice
de brasileiros que não sabem ler nem escrever um bilhete simples
caiu apenas 13% entre 2004 e 2008. Segundo os números mais recentes do IBGE, ainda
há mais de 14 milhões de jovens e adultos analfabetos -o
equivalente a um a cada dez brasileiros com 15 anos ou mais. "Não vou brigar com os números",
reagiu André Lázaro, secretário de Educação
Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério
da Educação: "A queda do analfabetismo não é
proporcional ao nosso esforço", completou. A erradicação do analfabetismo no Brasil
é algo de que não se fala mais no governo. Mas o MEC mantém a meta assumida ao lado de mais
de uma centena de países no Senegal, em 2000, de reduzir à
metade a taxa de analfabetismo e chegar a 2015 com "apenas"
6,7% dos jovens e adultos sem saber ler nem escrever. No ritmo de queda registrado desde o início do programa,
o Brasil ainda vai demorar pelo menos o dobro do tempo - oito anos- para
tirar do papel o compromisso de Dakar. "A [atual] taxa não é o que queríamos, mas vamos cumprir a meta", insiste Lázaro, com o aval do ministro Fernando Haddad. Foco Mas reconhece problemas de foco do programa, já
que o número de "alfabetizandos" registrado a cada ano
não se reflete na redução do analfabetismo. A Pnad
(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE, nem mesmo
capta nas classes de alfabetização o mesmo número
de alunos apresentado pelo programa oficial. Desde que foi lançado, em setembro de 2003, o Brasil
Alfabetizado registra uma média de 1,5 milhão de alunos
por ano. Mas nem todos estão estudando em setembro, quando a pesquisa
do IBGE vai a campo. Ao mesmo tempo, mais de 90% dos analfabetos ainda estão
longe das classes de alfabetização. E parte dos analfabetos
alcançados pelo programa não conclui os cursos e continua
sem saber ler e escrever. O MEC informa que não pode negar o acesso a uma
pessoa já alfabetizada a classes do programa quando faltam vagas
para jovens e adultos em classes de 1ª a 4ª série. Sobre a chance de o programa alcançar um número
maior dos analfabetos, o Ministério da Educação disse
depender de Estados e municípios, parceiros do Brasil Alfabetizado. Essas parcerias são voluntárias. E o Estado de São Paulo, por exemplo, não aderiu ao programa. "Civilizada" O problema maior está entre os brasileiros com mais
de 60 anos: há 28% de analfabetos entre os mais velhos, dez vezes
mais do que a concentração de analfabetos registrada entre
os com menos de 30 anos. Mas os dados da Pnad mostram que ainda há
jovens que completam 15 anos sem saber ler nem escrever. Em 2008, foram
mais 63 mil novos analfabetos nessa idade, quase 2% da população. |
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