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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 28/09/09 A causa da educação MILÚ VILLELA Estamos cientes dos avanços registrados no processo de mobilização social, mas precisamos avançar ainda mais pela causa da educação
Há um sábio provérbio africano que
diz: "É preciso toda uma aldeia para educar uma criança".
Sem a participação efetiva dos pais e de toda a sociedade,
fica difícil acelerar o tempo para que a educação
brasileira possa melhorar, de forma que crianças e jovens não
apenas passem pela escola, mas, de fato, aprendam. Ao completar três anos de existência no último
dia 6/9, o movimento Todos pela Educação já pode
comemorar expressivas vitórias, graças ao trabalho em parceria
com vários setores da sociedade. Por outro lado, o movimento sabe que ainda precisa colocar
uma maior força na mobilização social pela causa
da educação, o que não apenas irá refletir
numa maior participação dos pais na educação
dos filhos como também em tornar a educação a prioridade
número um dos brasileiros. A última pesquisa, realizada pelo Ibope/CNI, em
2007, por solicitação do movimento, mostrou que a educação
ocupa a sexta prioridade entre os brasileiros e que 72% dos pais estão
satisfeitos com a qualidade da educação oferecida aos seus
filhos. Isso é preocupante se levarmos em conta que, apesar
dos avanços recentes, o Brasil, em comparação com
países mais desenvolvidos, está muito distante quanto à
aprendizagem de seus alunos, como revelam os resultados do Pisa. Em relação, à meta de aprendizagem
do Todos pela Educação, por exemplo, só 23% dos alunos
que concluem a quarta série do ensino fundamental 1 alcançaram
o nível adequado de aprendizagem em matemática. Na oitava
série do ensino fundamental 2, esse percentual cai para 14% e,
ao final do ensino médio, chega a 10%. Para ter uma ideia do tamanho do desafio que teremos pela
frente, a meta de aprendizagem para 2022 é de 70%! Portanto, se,
por um lado, temos metas claras para melhorar a qualidade da educação
brasileira, o que há tempos atrás seria difícil de
imaginar, por outro lado, estamos muito distantes de oferecer uma educação
de qualidade para nossos alunos. Em recente artigo, o professor José Pastore chamou
a atenção para a baixa qualidade da educação
brasileira como o principal entrave para que o país ocupe posição
de destaque no ranking mundial da competitividade. Como envolver e sensibilizar os pais nessa importante tarefa
não é algo simples, tratando-se de um país tão
desigual entre suas regiões e de tamanho continental. Nesse contexto, vale salientar o papel das denominações
religiosas, que, em parceria com o Ministério da Educação
e o Todos pela Educação, têm contribuído para
envolver as famílias e os pais no processo educacional. O tamanho continental do Brasil exige, por outro lado,
o forte e decisivo envolvimento dos meios de comunicação.
O projeto "No ar, Todos pela Educação", em parceria
com a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio
e Televisão (Abert), contando com mais de 2.000 rádios em
todo o país, vem também ajudando nesse processo de mobilização
pela causa de uma educação de qualidade para todos os brasileiros. Cabe parabenizar a mais recente iniciativa da Rede Globo
de Televisão, da Fundação Roberto Marinho e do Canal
Futura pelo lançamento do Globo Educação, um programa
semanal, aos sábados, divulgando as boas práticas educacionais
realizadas por escolas públicas de todo o país. Outro belo exemplo da força dos meios de comunicação
tem sido a mobilização realizada pelo movimento Educar para
Crescer, da Editora Abril, em parceria com o Todos pela Educação,
que lançou um conjunto de três cartilhas dirigidas aos pais
e empresários com dicas para participar da vida escolar de seus
filhos e melhorar a qualidade da educação. Neste momento em que o Todos pela Educação
completa três anos de existência, estamos cientes dos avanços
registrados no processo de mobilização social, mas precisamos
avançar ainda mais pela causa da educação e, assim,
legar às futuras gerações um Brasil mais justo e
verdadeiramente independente. Sonhamos com esse país e acreditamos
que é possível com a participação de todos. MILÚ VILLELA é membro fundador e coordenadora da Comissão de Articulação do movimento Todos pela Educação, embaixadora da Unesco e presidente do Faça Parte-Instituto Brasil Voluntário, do MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo) e do Instituto Itaú Cultural
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