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Matéria
publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 27/09/09
O
futuro do emprego
GILBERTO
DIMENSTEIN
O jovem terá
de mudar de atitude para trabalhar e as empresas terão de mudar
seu ambiente para atrair talentos
NO ANO passado, 730 mil universitários e recém-formados
se candidataram a 2.334 vagas de estágios e trainees de algumas
das mais cobiçadas empresas, entre as quais Microsoft, Sadia, Nestlé,
Itaú-Unibanco, Braskem, Unilever. Apesar da abundante oferta de
mão de obra -cerca de 3.100 candidatos por vaga- vinda das melhores
faculdades do país, 10% dos postos não foram preenchidos.
Responsável pela seleção, a psicóloga
Sofia Esteves, presidente da Cia. de Talentos, já sabe há
muito tempo que a maioria dos jovens não passa na peneira por causa
da baixa formação (não ter fluência em inglês,
por exemplo) e até dificuldade de expressar com clareza uma ideia.
Isso é, porém, parte do problema.
Uma pesquisa que ela conduziu, concluída no mês
passado, com 31 mil universitários, mostra que o assunto é
mais complexo e revela um conflito geracional -as empresas não
estão entendendo os jovens, formados na chamada era da informação.
E os jovens não entendem o que as empresas pedem. "Há
um modo diferente de encarar o mundo", afirma a psicóloga.
A pesquisa mostrou que quase a totalidade dos universitários que
disputaram as vagas de trainee e de estágio estão habituados
a navegar em mais de uma rede social pela internet, como Orkut e Facebook.
É uma geração que aprendeu a não reverenciar
hierarquias, criada num ambiente interativo e colaborativo, com uma enorme
variedade de opções. O que existe de habilidade para tarefas
simultâneas e velozes, falta em foco e aprofundamento.
É uma atitude reforçada pelo clima familiar,
com a mudança da relação de autoridade de pais e
filhos. Imagina-se que a empresa possa refletir esse tipo de ambiente
com baixa hierarquia e até, quem sabe, falta de limites. A pesquisa
indicou que entre as cincos razões para se deixar uma empresa,
o salário está em quarto lugar. "A maior motivação
não é o dinheiro", afirma Sofia.
Em primeiro lugar, aparece a "falta de desenvolvimento profissional"
como a maior razão para não ficar no emprego. Em segundo,
praticamente empatado, "não ter ambiente de trabalho agradável"
e, em terceiro, "não ter qualidade de vida". Detalhando-se
as respostas, vemos que muitos imaginam a empresa como um espaço
de lazer que proporciona bem-estar. Seria quase um clube, movido a criatividade.
Na seleção, essa visão dos candidatos
transparece. Para o jovem, o que significa prazer é, na visão
do empregador, incapacidade de lidar com a disciplina. Quando um fala
em ambiente criativo, outro suspeita de falta de disposição
em obedecer à hierarquia.
Em suma, essa geração quer ficar num lugar
prazeroso, criativo, onde possa se sentir evoluindo. Daí se explica
a crescente tendência entre os jovens de preferir abrir suas próprias
empresas, onde talvez até ganhem menos e vivam com mais insegurança,
mas consigam determinar seu horário de trabalho.
Tantos candidatos não preenchem tão poucas vagas porque
há também uma carência de comprometimento. Uma parte
deles é cortada simplesmente porque não vai às entrevistas.
Isso depois de passarem nas duras provas, que exigem, entre outros requisitos,
além de fluência em língua estrangeira, testes de
raciocínio lógico. Lembremos que, nesse caso, eles estão
disputando postos em algumas das mais reverenciadas marcas do mundo empresarial.
Sofia diz que, certa vez, marcou 18 entrevistas para um
sábado. Apenas dois se apresentaram. "Liguei para eles. Muitos
não foram porque não conseguiram acordar cedo no final de
semana ou tinham marcado, naquela hora, outros compromissos."
O problema prossegue depois que eles passam nessa apertadíssima
seleção. Cerca de 15% dos aprovados não suportaram
a pressão e desistiram logo no primeiro ano de trabalho -o que,
para empresa, é dinheiro jogado fora. O que se vê aqui é
o problema da falta de resiliência, a dificuldade de suportar as
adversidades. Ou, mais simples, a dificuldade de ouvir não. "Alguns
saem porque seu projeto não é aprovado e ficaram aborrecidos",
conta Sofia.
PS - A pesquisa revela que o jovem entra na empresa já vendo a
porta de saída; 14% acham que deveriam ficar no máximo quatro
anos; outros 51% até, no máximo, dez anos. O resumo, na
visão de Sofia, é que o jovem terá de mudar de atitude
para trabalhar e as empresas terão de mudar seu ambiente de trabalho
para atrair talentos. Nem um lugar fechado que iniba a criatividade -nem
tão aberto que parece a casa dos pais, onde não existe frustração.
Nessa combinação, talvez esteja o futuro do emprego.
gdimen@uol.com.br
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Decálogo
a
ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas
de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais
1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;
2
Se não houver pessoa responsável
pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;
3
Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega
de documentos na DE;
4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática,
o local não será utilizado;
5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos
no prédio escolar,
não haverá consertos;
6
Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio
não será pintado;
7
Se não houver verba para a contratação
de contador para as escolas, não haverá prestação
de contas à FDE;
8
Se não houver verba suficiente para a contratação
de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;
9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;
10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar
a escola à comunidade, não serão realizadas
A
nossa escola é, por previsão constitucional, pública
e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos.
Todas
as omissões do Estado, com relação aos itens
acima, deverão ser objetos
de ofícios da direção às Diretorias
Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor
de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores
associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto
de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia
ao Ministério Público e propositura de Ações
Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento
das suas obrigações para com as unidades escolares
e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.
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