Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 24/09/09

Compromisso com o coletivo

Wilson Jacob Filho

[...] O COMPROMISSO COM O COLETIVO É UMA VIRTUDE QUE SE APRIMORA COM O TEMPO

Tenho conversado muito sobre os compromissos assumidos nos nossos vários papéis sociais. Fatos recentes me incentivaram a também escrever sobre esse tema.

Todos nós, desde que conscientes e responsáveis, temos direitos e deveres em nossas atividades profissionais e pessoais. Do respeito a estes decorre a maior possibilidade de êxito, bem como as responsabilidades assumidas pelo exercício dessas funções.

Qualquer coisa diferente disso resulta em insucesso ou em sobrecarga para os demais. Isso significa, portanto, que o compromisso individual com as próprias metas e os deveres devem estar de acordo com um compromisso coletivo com todos os que dependem do resultado desta atuação.

Os componentes de uma orquestra, por exemplo, ensaiam arduamente para que o desempenho conjunto seja o melhor. Se um dos músicos, porém, perder a concentração ou não se preparar adequadamente, a exibição será comprometida.

Recentemente assisti à apresentação de um grupo de idosos responsáveis pela elaboração de um singelo jornal, com tiragem de apenas 400 exemplares quatro vezes ao ano. São pessoas simples, a maior parte com pouca escolaridade e sem nenhuma experiência prévia nessa atividade. O compromisso coletivo de todos e a constante observação às regras previamente aceitas fizeram com que atingissem seu intento.

Além da forte emoção advinda do relato dos componentes, também fiquei com uma instigante questão: o que faz uma pessoa com mais de oito décadas vividas, com a vida profissional encerrada e com direito a um merecido descanso, lançar-se em busca de uma meta tão distante da sua realidade?

A explicação foi dada nos depoimentos que se sucederam: todos declararam ter um compromisso com os demais e disseram que superar as suas limitações foi a única maneira encontrada de justificar a permanência no grupo. Alguns chegaram a explicitar sua convicção de que o sucesso coletivo é mais importante do que o individual.

Muitos dos que presenciaram essa apresentação foram às lágrimas. Uma prolongada salva de palmas seguida de calorosos abraços entre todos foi a melhor forma que tivemos de agradecer aquela lição.

Demorei a me refazer do forte impacto emocional, mas, assim que o consegui, ocorreu-me outra questão, ainda mais instigante, que não consegui responder: teriam sido esses senhores e senhoras tão comprometidos com o coletivo desde a sua juventude?

Se sim, assistimos ao agrupamento de pessoas privilegiadas pelo espírito comunitário, trabalhando em uma causa comum. Se não, e eu espero que essa seja a resposta certa, o compromisso com o coletivo é uma virtude que se aprimora com o tempo.

Isso me permitirá entender melhor por que encontro mais atitudes comunitárias entre os idosos e acreditar que, com a progressiva influência que esse grupo etário terá neste e nos próximos séculos, teremos muito a aprender e a ganhar.

WILSON JACOB FILHO é professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas (SP)

Decálogo
a ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais


1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;

2
Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;

3
Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega de documentos na DE;

4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática, o local não será utilizado;

5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos no prédio escolar,
não haverá consertos;

6

Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio não será pintado;

7

Se não houver verba para a contratação de contador para as escolas, não haverá prestação de contas à FDE;

8
Se não houver verba suficiente para a contratação de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;

9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;

10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar a escola à comunidade, não serão realizadas

A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão ser objetos de ofícios da direção às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia ao Ministério Público e propositura de Ações Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento das suas obrigações para com as unidades escolares e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.