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Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 18/09/09. País melhora, mas não não vence analfabetismo Desigualdade cai; renda e emprego avançam Pnad, o mais abrangente retrato do país, revela ganhos com expansão econômica entre setembro de 2007 e setembro de 2008 No período, a taxa de desocupação caiu de 8,2% para 7,2%, menor patamar desde 1996, mas número de adultos analfabetos cresce ANTÔNIO GOIS O retrato do Brasil antes da crise, revelado ontem pelo
IBGE em sua Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios),
mostra um país que seguia seu processo de melhoria da renda, diminuição
da desigualdade e da pobreza e crescimento do emprego formal. Mas a fotografia do Brasil, feita em setembro de 2008 pelo
IBGE, mostra que o vigoroso crescimento econômico ocorrido nos 12
meses anteriores não conseguiu reduzir um dos mais graves problemas
do país, o analfabetismo. A taxa de analfabetismo recuou apenas
0,1 ponto percentual na comparação de 2007 para 2008. Ocorreu
inclusive um pequeno aumento no número absoluto de analfabetos
adultos, de 14,136 milhões para 14,247 milhões. Por ter setembro como referência, o Pnad não
captou efeitos da crise que começou a abalar o mundo no último
trimestre de 2008, quando pesquisas do próprio IBGE registraram
aumento do desemprego e queda na renda e no crescimento. Apesar de menos atualizada, a Pnad é a mais abrangente
e detalhada pesquisa anual do IBGE, cobrindo todo o país e analisando
diversas características da população. Em 2008, a renda média do trabalhador foi de R$
1.041, uma variação de 1,7% em relação a 2007.
Ela está, no entanto, ainda 3,1% abaixo da verificado em 1998,
de R$ 1.074. Essa alta de 1,7% foi a menor desde 2004, quando a economia
começou a se recuperar. Apesar de a renda ter crescido menos, a
Pnad mostra que, em setembro de 2008, mais brasileiros conseguiram emprego
-a taxa de desocupação caiu de 8,2% para 7,2%, o menor patamar
desde 1996. A redução no desemprego significou que 2,5
milhões a mais de brasileiros estavam ocupados em setembro de 2008
na comparação com o mesmo período de 2007. E a maioria
dos postos criados foi no setor formal, já que houve aumento de
6,6% (2,1 milhões) no número de empregados com carteira
assinada. O crescimento da formalização no mercado
de emprego contribuiu para o aumento da proporção de trabalhadores
que contribuíam para a Previdência: de 50,6% para 52,1%. No caso da renda do trabalho, a queda na desigualdade,
medida pelo índice de Gini, foi de 1,3%, menor do que a redução
verificada de 2006 para 2007, mas maior do que a registrada anualmente
de 2003 a 2005. Na comparação com 1998, houve crescimento
de 22% na renda dos 50% mais pobres. Os 10% mais ricos, nessa comparação,
ainda registram perda salarial de 3,1%. Mesmo assim, os 10% mais ricos (R$ 4.424 ou mais) concentram 43% da riqueza, enquanto os 50% mais pobres respondem por apenas 18%.
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