Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 10/09/09

Pílula do sexo

ROSELY SAYÃO

[...] O QUE LEVA JOVENS PLENOS DE ENERGIA A ACREDITAR QUE PRECISAM DESSE TIPO DE REMÉDIO?

Um jovem de 19 anos reclama de um comportamento que considera quase uma dependência medicamentosa. Há dois anos, toda vez que tem um encontro que pode resultar em um relacionamento íntimo, ele toma pílula para ereção. E, cada vez mais, não se arrisca a deixar de tomar.

A história dele deve nos fazer refletir sobre o quanto contribuímos para que os jovens construam uma visão da sexualidade estreitamente ligada ao desempenho corporal. Veja: ele teve sua primeira experiência sexual pouco antes de completar 16 anos. Muito tarde, em sua própria avaliação.

Os colegas o incentivaram a tomar a pílula em sua primeira vez para evitar que a ansiedade e o nervosismo atrapalhassem o processo de excitação. Um pouco relutante, ele aceitou a sugestão, tomou e não se arrependeu. Segundo ele, o uso não provocou nenhum efeito colateral e o resultado foi o que esperava: não falhou e conseguiu manter a ereção por um período que considerou muito bom.

Depois disso, namorou uma garota e, durante o tempo em que esteve com ela, nem se lembrou do remédio porque não precisou. O namoro acabou e, desde então, ele tem encontros ocasionais com garotas que conhece em baladas ou bares. E foi a partir daí que passou a usar e abusar da pílula.

O caso desse rapaz não é exceção. Uma pesquisa realizada na Argentina mostrou que a cada dez medicamentos para ereção vendidos no país, três foram consumidos por menores de idade. Segundo informações de médicos que trabalham na capital argentina, o consumo desse tipo de medicamento está crescendo entre adolescentes de 15 e 16 anos em todas as classes sociais.

O que leva jovens plenos de energia a acreditar que precisam desse tipo de remédio? Em primeiro lugar, a oferta e a propaganda. Por que precisamos ter celular e não sabemos mais viver sem esse aparelho se por tanto tempo o fizemos muito bem? Porque há uma oferta generosa dele e porque seu uso é associado a um estilo. "O mundo é de quem faz e acontece" é um dos slogans atuais.

Não ter celular é um fato que hoje inferioriza um jovem e até mesmo uma criança. Falhar no momento decisivo é um evento que deprecia o jovem, portanto, ele não pode correr tal risco. Em segundo lugar, temos promovido a ideia da perfeição do corpo, da saúde, da aparência. Para estar bem é preciso mostrar-se bem, não aceitar limites, superar os obstáculos, evitar contrariedades. Ocorre que essa ideia, levada ao extremo, retira do jovem o conhecimento de sua humanidade, seu contato com ela. Ser humano significa ter e reconhecer limites e defeitos para, inclusive, tentar superá-los.

Nessa questão do desempenho sexual, os jovens têm tido medo e talvez seja isso que os leve a tomar a pílula para ereção. Eles têm medo de falhar, de serem julgados e rejeitados, medo de decepcionar. Talvez possamos colaborar para que aprendam que é mais humano buscar coragem para lutar contra o medo do que tomar medicamentos.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)

Decálogo
a ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais


1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;

2
Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;

3
Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega de documentos na DE;

4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática, o local não será utilizado;

5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos no prédio escolar,
não haverá consertos;

6

Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio não será pintado;

7

Se não houver verba para a contratação de contador para as escolas, não haverá prestação de contas à FDE;

8
Se não houver verba suficiente para a contratação de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;

9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;

10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar a escola à comunidade, não serão realizadas

A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão ser objetos de ofícios da direção às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia ao Ministério Público e propositura de Ações Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento das suas obrigações para com as unidades escolares e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.