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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 03/09/09 Editoriais editoriais@uol.com.br Ensino na berlinda É OTIMISTA a conta segundo a qual 737 mil estudantes
brasileiros frequentam faculdades ruins. O cálculo considera ruins
apenas as que receberam nota 1 ou 2 no mais recente índice de avaliação
do Ministério da Educação, que vai até 5.
Mas a nota é comparativa, de modo que sempre haverá melhores
e piores, mesmo se a qualidade geral for excelente -ou, o que é
mais provável, má. A proliferação de formandos com conhecimento
insuficiente é notória. A forte ampliação
na oferta de vagas em faculdades tem sido impulsionada por programas como
o ProUni, que, apesar de bem-sucedido, pouco contempla a igualmente necessária
qualificação das instituições. É de esperar que, com mais alunos admitidos, o grau
de conhecimento médio na porta de entrada seja mais baixo. Há
inequívoco avanço quando toda uma geração
de jovens tem a oportunidade, que seus pais não tiveram, de continuar
os estudos além do nível secundário. Mas cabe ao
governo evitar que tantas expectativas de ascensão profissional
acabem prejudicadas por um ensino de má qualidade. A avaliação do MEC prestaria um serviço
público mais completo se divulgasse, ao lado da classificação,
os dados do IDD -indicador que tenta medir o conhecimento que os alunos
assimilaram ao longo dos anos. Também é preciso dar maior
visibilidade a experiências positivas, as chamadas boas práticas,
que possam ser adotadas para orientar a melhora das faculdades ruins. Por fim, é preciso descredenciar as que sofrem reprovações
seguidas. Dentre as nove instituições que obtiveram nota
1 no ano passado, oito permaneceram no mesmo patamar e a última
impediu na Justiça a divulgação do índice.
Pouco adianta concluir que os alunos são mal instruídos
se alternativas para a correção do problema não forem
oferecidas com rapidez.
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