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Trecho da matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 27/08/09 Educação sexual ROSELY SAYÃO Os adultos estão perdidos diante de (...) manifestações
de sexualidade de crianças de sete a dez anos, mais ou menos. As
crianças mudaram. Nessa idade, tais expressões eram raras
anos atrás. Eram comuns em crianças com até seis
anos. Depois disso, a sexualidade "adormecia" até explodir
na forma adulta com a chegada da puberdade e o início da adolescência. Hoje, as referências mudaram. A adolescência,
que é um fenômeno sociocultural, não mais se inicia
depois da puberdade: se antecipa a ela. Crianças com nove, dez
anos não mais querem ser crianças, e sim "pré-adolescentes".
Na prática, isso significa ter comportamento adolescente: ir a
festas à noite sem os adultos, conversar horas na internet ou pelo
celular, consumir com certa autonomia, namorar. Sabemos que nossas crianças estão expostas
a todo o tipo de informação do mundo adulto e, como consequência,
estão eroticamente hiperestimuladas e não sabem diferenciar
o que é do âmbito do relacionamento social daquilo que deveria
fazer parte da intimidade. Não sabemos ainda como lidar com isso. Precisamos, portanto, criar soluções alternativas. Talvez uma possibilidade seja a de oferecermos uma educação
sexual mais cuidadosa, planejada desde a educação infantil,
nas escolas e em casa. E não podemos entender educação
sexual como conversas sobre sexo. Precisamos ensinar às crianças,
desde cedo, o que entendemos ser importante em relação à
sexualidade: atitudes e cuidados com o próprio corpo e com o do
outro, os conceitos de intimidade, de gênero, a moral familiar e
a social sobre o assunto, por exemplo. Outra possibilidade é a de não colaborar
com a estimulação precoce. Poupar as crianças de
frequentar reuniões sem adultos atentos, evitar detalhes desnecessários
sobre o assunto e o acesso a sites e publicações de conteúdo
erótico são atitudes responsáveis dos que convivem
com essas crianças. O mundo mudou e, por isso, as crianças mudaram.
Isso exige que a educação mude também, por isso voltaremos
a tratar do assunto outras vezes. ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)
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