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Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 23/08/09 Projeto
libera casamento de idosos em JOHANNA NUBLAT Pessoas com mais de 60 anos ocupam alguns dos principais
cargos do país, como o presidente da República, os ministros
dos tribunais mais importantes e comandos do Congresso. Eles não
podem, porém, decidir sobre uma questão básica: o
regime de bens dos seus casamentos. Pelo menos três projetos de lei em tramitação
na Câmara e no Senado alteram o Código Civil para mudar essa
situação. A legislação vigente hoje diz que
maiores de 60 anos devem, necessariamente, se casar em separação
de bens. A intenção dessa norma, dizem especialistas,
é proteger o patrimônio dos mais velhos -evitando o famoso
"golpe do baú"- e a herança dos filhos de uma
união anterior. Mas alguns avaliam que a regra vai contra a Constituição.
"É escandalosamente inconstitucional. É a presunção
de que você é um idiota, altamente discriminatória:
depois dos 60, não pode despertar o amor em ninguém",
afirma a desembargadora aposentada Maria Berenice Dias. Baseado nisso, um projeto, hoje na Comissão de Constituição
e Justiça do Senado, pretende possibilitar que pessoas de qualquer
idade possam decidir em qual regime querem se casar, até mesmo
pela comunhão universal. Outra proposta, aprovada na semana passada também
na CCJ do Senado (seguirá para última análise do
plenário), aumenta para 70 anos o limite para escolha do regime.
Um terceiro (em comissão da Câmara) sobe para 80. Um dos argumentos da deputada Solange Amaral (DEM-RJ),
54, autora de um dos projetos, é que a elevação da
expectativa de vida torna essencial mudar a norma. Os três projetos são controversos. A advogada
Eliene Bastos diz que o importante é saber se a pessoa é
civilmente capaz. "A incapacidade pode ser atestada com 40 anos.
É ridículo aumentar a idade. O inconstitucional é
a limitação, seja qual idade for." Já para Arnoldo Camanho, desembargador do Tribunal
de Justiça do Distrito Federal, um limite é necessário,
mas poderia ser ampliado para a idade da aposentadoria compulsória,
hoje de 70 anos. Rodrigo da Cunha Pereira, presidente do IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família), defende que essa interdição seja derrubada. "É uma semi-interdição às pessoas de 60 anos", afirma. 50 anos depois Com 75 anos, José Ruben Ribeiro se casou há
um ano com Leide de Araújo, 74. Os dois foram colegas de escola
e faculdade, mas só ficaram juntos na festa de 50 anos de formatura,
quando ele já estava separado e ela, viúva. Ribeiro afirma que, mesmo se não houvesse a interdição
prevista em lei, eles teriam se casado em separação de bens.
"Nessa idade, normalmente, você já tem um patrimônio
constituído. Assim, ninguém vai dizer que é pelo
dinheiro. Se você quiser compartilhar os bens, há outros
meios." Mas a doação em vida não é
ponto pacífico na Justiça (há decisões contra
e a favor).
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