Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 06/08/09

A gripe e as crianças

ROSELY SAYÃO

 

Agosto começou e as crianças não voltaram para a escola. Férias prolongadas, para muitas delas, é sinônimo de satisfação garantida e inesperada.

Para outras, faz falta não ir à escola, e não por causa dos estudos, que é cedo para elas valorizarem o conhecimento. É que a vida em comum, fora do grupo familiar, é vivida na escola, e para isso as crianças já sabem dar a devida importância. Afinal, conviver com adultos com os quais elas não têm laços de parentesco e com outras crianças é condição necessária a um bom crescimento.

Gostando ou não, querendo ou não, elas estão em casa por mais tempo. E, aos pais, sobraram dúvidas e problemas a serem resolvidos. "Era mesmo uma medida necessária?", perguntaram muitos deles. Não sei. Conversei com vários médicos, li muitas declarações de outros nos jornais e continuei sem resposta, já que eles não têm a mesma posição.

Também não sei se temos todas as informações necessárias para avaliar a necessidade do adiamento. Mas considero que foi sensata, por parte de muitas escolas, a aceitação da recomendação do governo. E agora, o que fazer com as crianças em casa? As primeiras questões que surgem para os pais são as perguntas, algumas delas impertinentes, que os filhos fazem.

Desde os três, quatro anos, eles querem saber se na escola se pode "pegar" a gripe, quando as aulas retornam, quando a gripe vai acabar, se algum colega tem a gripe, se a gripe pode matar etc. Vamos lembrar duas coisas. A primeira é que a criança precisa reconhecer que seus pais e os adultos com os quais tem vínculo estreito são pessoas confiáveis.

A segunda é que ela ainda não tem condição de dar sentido a muitas informações do mundo adulto. Por isso, todas as perguntas que ela faz precisam de uma resposta realística e verdadeira e, ao mesmo tempo, compreensível.

Desse modo, é preciso dizer que sim, é possível "pegar" a gripe na escola tanto quanto em qualquer outro lugar que seja frequentado por alguma pessoa que tenha a gripe, mas também que os pais e a escola terão o máximo cuidado para evitar que isso aconteça. Oferecer uma resposta que satisfaça a criança e lhe dê segurança é o melhor a fazer.

Outra questão é se as crianças e os jovens precisam estudar nesse período de recesso forçado. Vamos ser realistas: os pais dificilmente terão condição de promover isso. Mas podem ler boas histórias para os filhos e pedir que eles leiam para eles. Aos filhos mais velhos, podem estimular sua responsabilidade perante os estudos, de preferência com doçura, que costuma faltar nessas horas de cobrança, não é verdade?

Finalmente: os pais que se encontram aflitos por causa da epidemia da gripe, que não concordaram com a decisão da escola de estender as férias ou que conhecem alguém que está com a gripe devem lembrar que as crianças, principalmente as pequenas, como são muito ligadas aos seus pais, provavelmente repercutirão a posição destes. Por isso, regular o que dizer aos filhos ou perto deles sobre o assunto é uma boa medida.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)

 

Decálogo
a ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais


1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;

2
Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;

3
Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega de documentos na DE;

4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática, o local não será utilizado;

5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos no prédio escolar,
não haverá consertos;

6

Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio não será pintado;

7

Se não houver verba para a contratação de contador para as escolas, não haverá prestação de contas à FDE;

8
Se não houver verba suficiente para a contratação de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;

9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;

10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar a escola à comunidade, não serão realizadas

A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão ser objetos de ofícios da direção às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia ao Ministério Público e propositura de Ações Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento das suas obrigações para com as unidades escolares e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.