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Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 27/07/09 Parecer indica escola comum a deficientes Um parecer do Conselho Nacional de Educação -ainda não homologado pelo MEC- que interpreta como obrigatória a matrícula de alunos com deficiências em escolas comuns reacendeu no Brasil a polêmica sobre os limites da inclusão, opondo entidades de defesa de pessoas com deficiência. O documento não tem força de lei, mas, caso homologado, servirá para orientar o MEC e os sistemas na interpretação da legislação já em vigor no país, especialmente no caso de distribuição de recursos do Fundeb (fundo de financiamento da educação básica). O parecer reforça a posição da Secretaria de Educação Especial do MEC que, apoiada por entidades, entende ser dever de pais e governo garantir matrícula de crianças deficientes em escolas comuns. O atendimento em especiais seria complementar, no contraturno, e não substituiria o da rede regular. A Federação Nacional das Apaes divulgou na semana passada nota de repúdio ao parecer, dizendo que ele extrapola a legislação em vigor e que as escolas públicas ainda não estão preparadas para receber todos os alunos com deficiência. O documento diz ainda que a Secretaria de
Educação Especial do MEC agiu de forma "oportunista
e tendenciosa" e que seu objetivo seria extinguir as escolas especiais. Em resposta, a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down fez abaixo assinado de apoio à resolução. Um dos argumentos é que, sob o pretexto de que as escolas públicas não estão preparadas, a matrícula em escolas especiais reforça a segregação e adia o processo de inclusão dos deficientes em classes regulares. Inclusão obrigatória Pressionada pelas Apaes e outras entidades, a Comissão
de Educação da Câmara dos Deputados pediu ao ministro
Fernando Haddad que não homologasse o parecer. "Somos a favor da inclusão, mas não
pode ser obrigatória e do dia para a noite. Nem todas as famílias
concordam e há casos de deficientes intelectuais severos que, quando
incluídos na escola comum, são prejudicados em seu desenvolvimento",
afirma o deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB-MG), presidente da Federação
Nacional das Apaes. "Há muito a avançar no atendimento na
rede pública, mas estamos melhorando e cabe à sociedade
cobrar mais. O parecer apenas reforça um direito inquestionável,
que está na Constituição e na convenção
da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência", diz
Claudia Grabois, presidente da Federação Brasileira das
Associações de Síndrome de Down. À Folha, o ministro Fernando Haddad afirmou que ainda não examinou o parecer, mas que não o homologará se entender que há conflito com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) e com o decreto 6.571, de 2008, que trata do atendimento e financiamento da educação especial. "Estamos investindo neste ano R$ 200 milhões para preparar as escolas para receber esses estudantes", disse ele.
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