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| Matéria
publicada no Editorial do Jornal Folha de São Paulo, de 25/07/09
Sem supervisão O FINANCIAMENTO do
Ministério da Educação para projetos de escolas técnicas
desvirtuados ou nunca concluídos se soma a notícias recorrentes
sobre precariedade do ensino brasileiro, sobretudo quando se trata do
nível médio. Ao longo de duas gestões
federais distintas, o Proep (Programa de Expansão da Educação
Profissional) repassou R$ 257 milhões a 98 entidades -sobretudo
fundações e sindicatos. O programa, que vigorou de 1999
a 2007, distribuía o dinheiro para que se construíssem,
ampliassem e equipassem escolas. Em troca, as unidades deveriam oferecer
cursos com metade das vagas gratuitas. Apenas uma entidade cumpriu o contrato. Sem supervisão,
as irregularidades foram do não oferecimento dos cursos à
cobrança indevida de mensalidade, passando pelo abandono de edifícios
construídos com dinheiro público. O MEC alega que dificuldades
estruturais impediram a fiscalização. Num paradoxo funesto,
a pasta permitiu que se gastassem recursos em projetos irregulares enquanto
faltava dinheiro para supervisionar a execução correta destes.
A demora na percepção das fraudes gerou desperdício
de verbas suficientes para a construção de 50 escolas federais. Ao abrir mão
da fiscalização, o MEC também deixou que se perdesse
uma chance de promover o ensino técnico no país. O investimento
em cursos profissionalizantes é uma saída para o impasse
em que se encontra hoje o ensino médio, estagnado pela evasão
e por falta de propósitos mais claros do que a mera preparação
para o vestibular. É positivo
que seja a própria pasta a perscrutar esses contratos e detectar
falhas, ainda que tardiamente. Que a lamentável ocorrência
sirva pelo menos para que se utilize maior rigor na avaliação
desse tipo de despesa. O ministério vem propondo modificações curriculares em nome de melhorias educacionais, mas tudo ficará comprometido se não houver lisura na gestão do dinheiro público.
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