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Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, de 15/11/08 Problemas no estágio MENOS DE dois meses após ser sancionada, a nova
Lei do Estágio provoca efeitos preocupantes. Segundo a Associação
Brasileira de Estágios (Abres), a oferta de vagas no país
caiu 40% nesse período. Conforme noticiou ontem o jornal "O
Estado de S.Paulo", levantamento da entidade aponta uma diminuição
de 55 mil para 33 mil postos mensais. Dados semelhantes são fornecidos pelo Núcleo
Brasileiro de Estágios. Antes da sanção da lei, o
número de vagas oferecidas para estagiários era de 2.700
por semana. Após a nova regra, caiu para 1.500 vagas. Os alunos
do ensino médio foram os mais prejudicados. De acordo com a Abres,
40 mil estagiários do ensino médio foram desligados no último
mês em todo o país. Até o momento, não é possível
atribuir a queda a vícios na lei nº 11.788/08. Em princípio,
ela traz benefícios ao estudante. A regra estabelece que o estagiário
passa a ter direito a férias remuneradas. O empresário fica
obrigado a contratar um seguro contra acidentes pessoais. A jornada de
trabalho passa a ter o limite de 20 a 30 horas semanais. A lei torna obrigatória, além disso, a concessão
de bolsa-auxílio e vale-transporte. São regras que procuram
evitar a precarização das relações de trabalho. Especialistas dizem que a queda na oferta de vagas ocorre
porque as empresas ainda não conhecem todos os aspectos da nova
lei. Com o tempo, argumentam, o problema tende a diminuir, e a contratação
de estagiários, a voltar à normalidade. De todo modo, a concessão dos novos benefícios
também precisa ser reavaliada pelas autoridades. Num país
com altos níveis de desemprego e rígida legislação
trabalhista, normas mais severas para o estágio podem prejudicar
os próprios estudantes em busca das primeiras oportunidades profissionais. |
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