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Matéria publicada na Revista IstoÉ, Edição 2030 Verônica Mambrini É possível ensinar em casa? Caso de mineiros que aprendem com os pais esquenta o debate entre educadores A rotina de Davi e Jônatas Andrade Amorim Nunes,
de 14 e 15 anos, da cidade de Timóteo, Minas Gerais, é comum:
inclui esportes, passeios, aprender idiomas e estudar. A diferença
é que, há dois anos, os irmãos não vão
mais à escola. O pai dos garotos, o designer Cleber Andrade Nunes,
preferiu educá-los em casa. Como a lei brasileira não permite
a prática, conhecida como homeschooling, ele e a mulher estão
sendo processados na área civil e criminal. Os adolescentes foram
submetidos a exames e avaliação psicossocial e, agora, a
família aguarda a decisão da Justiça. Se perder,
os meninos serão obrigados a freqüentar a escola e o pai pagará
uma multa. O rendimento mínimo exigido nas provas era de 60% -
Davi obteve 68% e Jônatas 65%. Não há estatísticas de homeschooling no Brasil. Mas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), quase dois milhões de crianças estudam dessa forma nos Estados Unidos, no Canadá, México e na Inglaterra. Para o professor de fundamentos da educação da Universidade Estadual de Maringá, Luiz Carlos Faria, a legislação deveria permitir essa modalidade, com avaliações de desempenho feitas por autoridades educacionais. Em países onde a prática é permitida, há um mercado de serviços e produtos de apoio. "Hoje existe uma facilidade de acesso aos meios necessários para o ensino, sobretudo quando os pais têm um nível educacional elevado", explica Faria. Outro recurso de apoio são tutores para matérias mais específicas. A professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Neide de Aquino Noff acredita que o ensino do currículo obrigatório seja uma questão menor nessa polêmica. "A diversidade por meio de instituições, como a escola, a família e a igreja, ajuda a criança a transitar entre elas e a reconhecer que todas são imperfeitas." A professora de filosofia da educação na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Carlota dos Reis Boto levanta outro ponto: "Se não houver escola, quem poderá averiguar o que os pais fazem com os filhos? Se algumas famílias protegem demais, outras punem em demasia." O debate deve esquentar ainda mais com as discussões
do projeto de lei 3518/2008, em tramitação na Câmara
dos Deputados. Um dos autores da proposta, o deputado federal Miguel Martini
(PHS-MG), que pretende regularizar o ensino domiciliar, acredita que no
balanço geral, a mudança seria positiva para o ensino no
País. "Se um método está dando resultados, precisamos
avaliá-lo", afirma.
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