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Diário
Catarinense, 25/08/2008 - Florianópolis SC O
Enem e a crise da educação Mais
de 4 milhões de estudantes se inscreveram para o Exame Nacional
do Ensino Médio (Enem), cuja 11ª edição será
realizada no próximo domingo. É um recorde. No ano passado,
foram 3,5 milhões de inscrições. Implantado em 1998,
durante o governo Fernando Henrique Cardoso, o Enem funciona como uma
eficiente ferramenta para avaliar a qualidade do ensino fornecido aos
jovens estudantes brasileiros. Seus resultados - quase sempre constrangedores,
para dizer o mínimo - indicam urgência de uma reforma ampla
capaz de adequar a educação pública às exigências
dos novos tempos e ao impositivo resgate de uma geração
que, com a formação que vem recebendo nos bancos escolares,
está sendo condenada a perder o trem para o futuro. A prova é
um dos requisitos para o estudante concorrer a uma bolsa no Programa Universidade
para Todos (ProUni). Cite-se, também, que mais de 500 instituições
de ensino superior espalhadas pelo país utilizam o resultado do
Enem como critério de seleção para candidatos aos
seus cursos, em substituição ao exame vestibular. São
fatores que ajudam a explicar o número recorde de inscritos. Para que o país consiga trilhar com segurança e sem retrocessos o caminho do desenvolvimento sustentável, e se torne competitivo no cenário internacional, impõe-se que invista maciçamente para oferecer às suas crianças e jovens uma educação de qualidade, capacitando-os a enfrentar os novos questionamentos de um mundo em acelerado processo de transformação. Enquanto, tal como se constatou nas edições anteriores do Enem, a maioria dos egressos das escolas públicas é incapaz de entender o pouco que consegue ler - uma situação que configura o chamado analfabetismo funcional - , o país sequer conseguirá formar os trabalhadores qualificados que já estão em falta no mercado. O "apagão da mão-de-obra" é uma das conseqüências do "apagão da educação". O fato de que, em São Paulo, o Estado mais rico e industrializado do país, 71% dos alunos que concluíram o terceiro ano do ensino médio sequer sabem quantos centímetros tem um metro, ou fazer uma conta de subtração elementar, diz tudo. Tudo indica que os resultados do próximo Enem repetirão quadro igualmente sombrio. E assim será enquanto os poderes públicos não transformarem de fato, e não apenas no discurso, a educação e a saúde nas duas prioridades máximas deste país semi-alfabetizado. |
Decálogo A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas
as omissões do Estado, com relação aos itens acima,
deverão ser objetos de ofícios
da direção às Diretorias Regionais de Ensino,
a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
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