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A Notícia, 14/10/2010 - Joinville SC

Profissão professor

Quem quer ser professor? Alguns poucos. Como demonstrou este jornal em reportagem no dia 27/7, existe um déficit enorme de professores de física, matemática e química, isto só para citar as áreas mais carentes. Paradoxalmente, existe gente formada nestas áreas, mas acabam buscando outros meios de sobrevivência que não seja a sala de aula, até porque não basta ter paixão, não basta ter “cheiro de aluno” ou vocação.

A educação não é um sacerdócio, é uma profissão como tantas outras. É por meio dela que sobrevivemos, que buscamos ter acesso a determinados bens de consumo que só se faz com poder de compra. E é neste aspecto que a profissão de mestre seduz tão pouco. Como professor das séries finais do ensino médio, tenho percebido que os estudantes querem ser médicos, advogados, engenheiros, administradores ou qualquer outra profissão que não seja professor. A postura pragmática adotada diante desta recusa é sempre a questão econômica. Não é segredo para eles que professor neste País é mal remunerado.

Muitas vezes não consegue sequer comprar livros para se atualizar porque não sobra dinheiro no final do mês. Os discursos institucionais falam o tempo todo na questão da qualidade sem uma mensuração real de que ela também passa pela questão econômica. Já há algum tempo venho adotando a tese de que os melhores quadros das universidades brasileiras, as melhores cabeças acabam sendo atraídas para outras áreas do conhecimento porque não existe incentivo financeiro para irem para uma sala de aula. Enquanto isto, há exceções, este espaço vai sendo destinado cada vez mais a profissionais pouco qualificados que conseguem diplomas em faculdades mercenárias que surgem aos borbotões em cada esquina.

A educação está sempre no centro dos discursos como a panaceia que salvará o País. A pensar no investimento financeiro que nela se faz comparado a outros países, é no mínimo vergonhoso. Fazer resmungos às vésperas de um dia comemorativo nem sempre é oportuno na fantástica era dos cosméticos que a tudo transforma em beleza. É preciso desconfiar sempre, ter sob suspeita as cifras e os índices que maquiam a realidade. Urge colocar em xeque os vários discursos instituintes sobre a educação.

IZAIAS DE SOUZA FREIRE


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