Matéria Publicada no Jornal da Tarde de 15/09/10
Link em apostila leva a site pornô
Fábio Mazzitelli e Larissa Linder
Caderno de inglês da rede estadual de ensino traz endereço de página em que mulheres ficam nuas.
Uma apostila de inglês distribuída na rede estadual de ensino indica o endereço de uma página na internet que leva a um site pornográfico norte-americano, no qual mulheres apresentam notícias tirando a roupa até o nu completo.
O link que remete à página é indicado nos cadernos de inglês de cerca de 645 mil alunos do primeiro ano do ensino médio – com 15 anos, em média. Segundo os módulos do sistema apostilado hoje adotado na rede estadual, os cadernos de inglês em questão foram usados no segundo bimestre do ano letivo, em maio e junho.
Na época em que a apostila foi trabalhada em aula, segundo a Secretaria Estadual da Educação, o link correspondia a uma página em que era possível fazer a leitura de vários jornais do mundo, o que motivou a citação. A pasta não soube precisar quando o link passou a remeter ao site pornô, mas diz que percebeu a mudança no endereço sugerido na semana passada, durante uma revisão do material feita pela pasta.
“Era uma atividade do tipo ‘saiba mais’. Se ele quisesse aprender melhor a língua inglesa, tinha a indicação da consulta a este site em inglês. Era um site que existia há dez anos e remetia para jornais do mundo inteiro”, diz Valéria de Souza, responsável pela Coordenadoria de Ensino e Normas Pedagógicas da secretaria. “A gente nunca imaginou que um site desta natureza poderia ter mudado. Agora é outra empresa que gerencia esse mesmo endereço”, diz.
Após notar a mudança, a secretaria da educação determinou o bloqueio do site nos terminais subordinados à pasta e também nos computadores do Acessa Escola.
Outros erros
No ano passado, as apostilas de geografia trouxeram erros no desenho do mapa da América do Sul, impresso sem o Equador e com dois Paraguais. Como o material é consumível, todos os estudantes levam a apostila para casa.
“Aquele episódio ajudou a gente a melhorar e acertar cada vez mais. Ajudou a gente a ser mais criterioso, mas neste último caso não é uma questão de falta de critério. Tomamos todos os cuidados e continuamos tomando.” Para Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto, presidente da Udemo, sindicato que representa os diretores de escola, há falta de cuidado da secretaria em relação ao material didático. “Não tem preocupação com o que é elaborado. Há omissão porque não é de hoje que acontece essas barbaridades.”
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