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Matéria publicada
no Jornal Folha de São Paulo, de 02/08/10
SP atrasa
vale-alimentação de professor
Docentes
da rede estadual não recebem auxílio desde fevereiro;
governo afirma que problema será corrigido
Secretaria
de Gestão atribui atraso a uma falha no sistema e diz que
os valores atrasados brevemente serão pagos
FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO
Professores da rede estadual
de São Paulo não recebem desde fevereiro o auxílio
alimentação, utilizado para gastos em supermercados.
Segundo o governo Goldman
(PSDB), houve problema no sistema que fornece informações
para o pagamento, que será solucionado nos próximos
dias.
Os valores atrasados
serão pagos, afirma a Secretaria de Gestão. A pasta
não soube informar quantos dos cerca de 200 mil docentes
estão sem receber o benefício.
A Apeoesp (sindicato
dos professores) afirma que já recebeu dezenas de consultas
de educadores, que reclamam da falta de pagamento ou de valores
abaixo do correto.
O benefício varia
de acordo com a carga horária do professor. A quantia máxima
é de R$ 80 mensais.
"Com o nosso salário,
cada centavo faz falta. Estou pedindo dinheiro para o meu pai para
comprar comida ou pedindo para comprar fiado no mercado", diz
um professor de português da região de Campinas (interior
de SP).
O docente tem carga horária
semanal de 30 horas e recebe R$ 1.500 de salário bruto. "Além
de atrasar, o vale não é reajustado há dez
anos", completa o docente.
COXINHA
O valor dos vales foi alvo de críticas durante a greve dos
professores no primeiro semestre, que durou um mês e acabou
logo após o então governador, José Serra (PSDB),
deixar o cargo para concorrer à Presidência.
Como forma de protesto,
os grevistas fizeram almoço com coxinhas na av. Paulista,
em alusão ao valor de cada vale, R$ 4.
A categoria pedia que
o valor do benefício fosse multiplicado em quase quatro vezes.
O governo dizia não haver condições financeiras.
Segundo a Secretaria
de Gestão, o problema no sistema ocorreu após a inclusão
neste ano de duas jornadas na carreira dos professores -eram apenas
duas.
Com a falha técnica,
"uma parcela dos professores passou a receber pagamento do
beneficio a mais ou a menos", afirma nota da pasta.
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