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Matéria Publicada no
jornal Folha de São Paulo, de 6 de junho de 2010.
Grupo quer incluir direito
à felicidade na Constituição
Objetivo do movimento é fazer com que
o bem-estar dos indivíduos da sociedade seja um dever de
Estado
Ativistas do grupo vão ao Congresso
nesta semana para colher assinaturas
de apoio à "PEC da Felicidade"
NANCY DUTRA
DE BRASÍLIA
Imagine uma escada de dez andares. O topo é
a sua melhor vida possível, e o começo, a pior. Em
qual degrau você diria que está agora?
Essa é uma das perguntas usadas na formulação
do ranking mundial de felicidade, que calcula a satisfação
das pessoas de 148 países.
Com a ideia de que é possível medir esse sentimento,
artistas e entidades brasileiras defendem a "PEC da Felicidade",
proposta de emenda constitucional que inclui como direito do cidadão
a "busca pela felicidade".
A estratégia do "movimento + Feliz", liderado pelo
publicitário Mauro Motoryn, é pressionar o Congresso
para que torne o bem-estar de cada um em dever de Estado.
"As pessoas vão chegar aos candidatos e dizer: você
é responsável por defender a minha felicidade",
diz o publicitário, que começou a elaborar ideia no
ano passado.
Para ele, a mudança na Constituição sensibilizará
a população a cobrar mais ações do governo.
Nesta semana, participantes do movimento -que vai desde a atriz
Patrícia Pillar e o cantor sertanejo Daniel até a
associação nacional de procuradores da República-
irá ao Congresso colher assinaturas para que a proposta seja
debatida. Eles precisam do apoio de 27 dos 81 senadores.
Responsável pelo ranking da felicidade, o sociólogo
holandês Ruut Veenhoven, da Universidade Erasmus, elogia a
iniciativa brasileira.
"A felicidade não será o tema principal no debate
político, mas vai aparecer em discussões sobre gastos
com saúde e previdência. O uso do conceito se tornará
mais técnico e menos retórico."
Há países que têm a felicidade como norma. Na
declaração de independência de 13 antigas colônias
dos EUA, em 1776, está o direito da "busca da felicidade".
Os franceses têm a garantia de "felicidade geral"
desde 1789. Japão, Coreia do Sul e Butão também
adotam a expressão em leis federais.
Em oposição ao PIB (Produto Interno Bruto), aliás,
Butão criou, em 1972, o FIB (Felicidade Interna Bruta), que
considera o uso do tempo e o bem-estar emocional.
INÚTIL
Autor de livros sobre direito constitucional, José Afonso
da Silva lembra que duas inclusões de mais direitos -moradia,
em 2000, e alimentação, neste ano- não levaram
ao desenvolvimento de mais políticas públicas.
"Agora, além de ser inútil, não tem conteúdo.
Casa e comida, ao menos, fazem sentido pra qualquer um."
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