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Matéria publicada no
Jornal da Tarde, de 27/05/10
Progressão pode
mudar
Ministro sugere não
reprovar alunos da 1.ª a 3.ª séries para evitar
evasão nesta faixa
Felipe Oda, felipe.oda@grupoestado.com.br
Os alunos do 1º ao 3º
ano do ensino fundamental não deverão ser reprovados.
A recomendação para que as escolas particulares e
públicas do País evitem repetir alunos com idade entre
6 e 8 anos voltou a ser defendida, ontem, pelo ministro da Educação,
Fernando Haddad, em entrevista à rádio CBN. A ideia
é evitar a evasão escolar nos primeiros anos de ensino.
A medida, que não tem caráter
de lei, precisa ser definida pelo Conselho Nacional de Educação.
Haddad disse que pretende transformar os três primeiros anos
em um ciclo de alfabetização.
Em 2008, data do último
censo escolar nacional, 521.705 crianças dos dois primeiros
anos do fundamental foram reprovadas. Dessas, 57.954 só no
Estado de São Paulo, seja por excesso de faltas ou abandono
do ano letivo.
A abolição da repetência
no ensino fundamental, denominada progressão continuada,
foi estabelecida em 1997 no Estado. Na capital, a medida passou
a vigorar só em 1998.
O ensino fundamental foi dividido
em dois ciclos e os alunos só podem ser reprovados no 4º
e 8º anos. Caso a diretriz seja aprovada pelo Ministério
da Educação e o governo municipal acate a recomendação,
um terceiro ciclo será criado.
Para a professora da Faculdade
de Educação da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo (PUC-SP), Neide Noffs, a criação
de mais um ciclo não trará benefícios aos alunos
e professores.
A reprovação
não deu certo, mas esse modelo (ciclos) também não
está dando resultado. Demorar quatro ou três anos para
identificar as dificuldades do aluno é muito tempo,
diz Neide.
Outras políticas
públicas deveriam ser criadas para melhorar o desempenho
de alunos e professores na sala de aula, como o acompanhamento individual
do aluno, avaliações periódicas, melhores condições
de trabalho, afirma a professora.
A relação entre
evasão escolar e repetência também é
criticada. O aluno abandona a escola quando não sente
que tem subsídios para continuar. Ele tem noção
das dificuldades. Isso o desestimula, analisa.
Histórico
A primeira tentativa de estabelecer
a progressão continuada em São Paulo aconteceu em
1968, quando o professor José Mario Pires Azanha criou um
sistema na rede estadual de ensino que eliminava a reprovação
da 1º para a 2º séries e da 3º para a 4º
séries.
No entanto, o modelo foi abolido
durante o governo militar.
Nas escolas da capital, a progressão
em três ciclos foi implantada por Paulo Freire, quando o educador
foi secretário municipal de Educação, entre
1989 e 1991.
O mesmo ocorreu na época
em várias outras capitais brasileiras, mas não houve
continuidade dessas políticas.
Em 1998, o Conselho Estadual
de Educação propôs a adoção da
volta da progressão continuada. A partir daí, o ensino
fundamental foi dividido em dois ciclos e as repetências passaram
a ser definidas apenas por faltas em excesso ou em caso de abandono
do ano letivo.
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