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Matéria públicada
no jornal Diário de São Paulo, de 13/05/10
Escolas têm 4.368
casos de violência
Segundo registros
policiais, foram 25 casos de crimes sexuais nas unidades públicas
e privadas em 2009
REGIANE
SOARES VON ATZINGEN
As escolas
públicas estaduais e municipais e até algumas particulares
foram alvo de 4.368 crimes registrados em delegacias da capital
em 2009, segundo dados do Sistema de Informação Criminal
(Infocrim), do governo do estado. Foram 672 casos de lesões
corporais, 204 de roubos, 2.247 de furtos e 1.220 de atos infracionais
(delitos cometidos por menor de idade, entre eles tráfico
e consumo de drogas), além de três homicídios.
Por dia letivo, são quase 22 crimes ocorridos nas escolas.
A novidade
do levantamento do ano passado foram os casos de estupro ou abuso
sexual. Foram 25 ocorrências, o que dá uma média
superior a duas por mês. A maioria dos casos foi registrada
na periferia. Foram 19: nove na Zona Sul, quatro na Zona Norte e
seis na Zona Leste. Os casos foram registrados em escolas de ensino
fundamental e médio e até em creches. Segundo os dados,
13 vítimas de estupro têm entre 11 e 19 anos, cinco
têm entre 6 e 10 anos e sete são menores de 5 anos.
Entre
os casos de estupro há o de uma menina de 12 anos que saiu
da sala de aula para beber água e foi abordada por um desconhecido.
Ela foi levada para o banheiro, amarrada e estuprada. O desconhecido
sumiu sem deixar pistas. Mas também há registros de
que a violência sexual é praticada pelos próprios
colegas ou até por professores e funcionários da escola.
As vítimas
de violência sexual podem sofrer diversas consequências
(leia abaixo).
Questionada
sobre os dados do Infocrim, a Secretaria Municipal de Educação
disse por meio de nota que não tem conhecimento de
qualquer pesquisa sobre violência nas escolas da capital.
A Secretaria Estadual da Educação também divulgou
nota na qual diz repudiar qualquer ato contra a vida e a integridade
de seus estudantes e servidores. Segundo a secretaria, todo
caso de violência, sexual ou outra, ocorrido dentro de uma
escola estadual é apurado e, quando necessário, medidas
cabíveis são adotadas.
No caso
de envolvimento de funcionários, é aberto um processo
administrativo interno para investigar o fato, podendo resultar
na exoneração do funcionário do cargo.
Trauma
maior nos jovens
A violência sexual pode trazer diversas consequências
para crianças e adolescentes. Segundo a psicóloga
Lídia Rosalina Folgueira Castro, chefe do Setor de Psicologia
das Varas da Família do Fórum João Mendes,
no Centro, quanto menor a criança, maior o trauma. Dificuldade
no aprendizado e distúrbios alimentares, como anorexia, estão
entre as consequências entre os menores de 11 anos. Já
entre os adolescentes, mudanças de comportamento são
mais comuns. O adolescente pode se tornar mais agressivo,
manifestar a sexualidade de forma exacerbada, passar a usar drogas
ou até cometer suicídio, disse.
O psicoterapeuta
Wilson de Campos Vieira ressalta que crianças vítimas
de violência sexual têm sono perturbado, ficam retraídas
e podem ter problemas nos estudos. Em casos confirmados, Vieira
orienta as mães que procurem a vara da infância do
fórum mais próximo de sua casa e peçam auxílio
de assistentes sociais ou psicólogos. Segundo ele, o depoimento
da vítima é considerado peça fundamental em
um processo.
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