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Matéria publicada na Revista Nova Escola, Edição 216 A
origem do sucesso (e do fracasso) escolar De todos os fatores que influenciam a qualidade
da escola, o professor é, sem dúvida, o mais importante.
Por isso, a formação (inicial e continuada) faz tanta diferença
- para o bem e para o mal. No Brasil, infelizmente, para o mal O jogo de dominó tem uma dinâmica peculiar: cada movimento leva a outro e completar a seqüência sobre a mesa (como nas imagens que ilustram esta reportagem especial) ou derrubar as peças depende dessa reação em cadeia para funcionar. Essa representação vale, de forma metafórica, para a qualidade da Educação. Para atingi-la, ou seja, garantir a aprendizagem de todos os alunos, é preciso começar com uma "jogada" que define todo o processo: a formação inicial dos professores. Se ela for boa, todos saem ganhando. Se, no entanto, ela for ruim... Há um ano, NOVA ESCOLA publicou o resultado de uma
pesquisa que mostrava que 64% dos educadores brasileiros avaliam o curso
em que se graduaram como excelente ou muito bom, mas 49% dizem que esse
mesmo curso não os preparou para a realidade da sala de aula. Ou
seja, não é tão bom quanto deveria - afinal, a finalidade
do trabalho docente é justamente ensinar. Para entender melhor
essa questão, foi encomendada uma nova pesquisa, dessa vez à
Fundação Carlos Chagas. A análise de 71 currículos
de cursos oferecidos por instituições de ensino públicas
e particulares de todo o Brasil aponta para um descompasso preocupante
entre o que as faculdades de Pedagogia oferecem aos futuros professores
e a realidade encontrada por eles nas escolas. "Há uma ênfase
muito grande nas questões estruturais e históricas da Educação,
com pouquíssimo espaço para os conteúdos específicos
das disciplinas e para os aspectos didáticos do trabalho docente",
resume Bernardete Gatti, diretora de pesquisas da Fundação
Carlos Chagas e coordenadora do estudo, que é apresentado em primeira
mão nesta edição (confira no quadro abaixo alguns
dos principais indicadores do trabalho). "As universidades parecem
não se interessar pela realidade das escolas, sobretudo as públicas,
nem julgar necessário que seus estudantes se preparem para atuar
nesse espaço", diz ela. Repensar a realidade - Para entender esse cenário, NOVA ESCOLA dividiu esta reportagem em mais quatro blocos. Na página 32, o ministro da Educação, Fernando Haddad, explica por que a questão passou a ser prioritária para o Ministério e conta que planeja lançar, ainda no mês de outubro, o Sistema Nacional de Formação do Magistério, para estimular as universidades públicas a criar cursos mais voltados para o exercício da profissão. "É possível e necessário atrair os jovens mais brilhantes para a carreira docente", acredita ele. Na página 50, você encontra um panorama da formação inicial no Brasil. Descobre, ainda com base nos dados da análise feita pela Fundação Carlos Chagas, que apenas 28% das disciplinas dos cursos de Pedagogia abordam o "quê" e o "como" ensinar - e por que essa falta de conhecimento didático está na raiz do fracasso escolar brasileiro. Em seguida, repórteres que acompanharam as melhores experiências de formação continuada mostram por que a maior parte dos programas que levam esse nome não passa, na verdade, de tentativas de remendar os furos deixados pela má qualidade dos cursos de graduação. "Faltam programas contínuos, de longa duração, e principalmente a capacitação dentro da própria escola, sob a liderança do coordenador pedagógico", afirma César Géglio, especialista no tema, no texto que começa na página 54. Finalmente, na página 58, estão os caminhos adotados pelos países que mais se destacam nas avaliações internacionais de desempenho - e de que maneira a experiência deles pode nos inspirar na busca por uma Educação com mais qualidade. Em comum, todos investem na formação docente por saberem que é ela que pode dar início a uma reação em cadeia que leve ao resultado desejado. |
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