Por que pensar cansa?

Suzana Herculano-Houzel

[...] Até o melhor dos concertistas começa a sofrer de fadiga cerebral ao cabo de uns 60 ou 90 minutos de atividade

Tenho certeza de que você já passou por isso. A atividade é tão empolgante -ou obrigatória- que você fica uma ou duas horas empenhado lendo, tocando piano, analisando números, traduzindo, separando pecinhas de quebra-cabeça, apreciando obras de arte ou resolvendo problemas de lógica sem parar. Até que... Você não consegue mais. Não consegue nem quer mais: seu cérebro cansou do assunto e agora pensa em tudo menos no parágrafo ou no quadro à sua frente. Luta para encontrar as palavras, já não manda os dedos se mexerem na hora certa, não enxerga a diferença entre as peças, não vê lógica nenhuma naquela nuvem de números.

E não é só uma questão de motivação. Pensar -usar neurônios específicos para resolver um problema específico- cansa mesmo. O fenômeno, que encurta o tempo útil de qualquer atividade sustentada, tem sua função: impedir a hiperativação dos neurônios (e, de quebra, não deixar que sua vida se resuma a um piano ou a uma calculadora).

A fadiga cerebral está associada ao acúmulo de adenosina, uma pequena molécula liberada pelas células da glia, vizinhas aos neurônios, em resposta aos neurotransmissores que estes usam para trocar informações entre si.

Por isso, quanto mais intensa for a atividade em uma região do cérebro, mais neurotransmissores serão liberados pelos neurônios ali e mais adenosina será liberada de volta sobre os neurônios.

A adenosina, por sua vez, age como um freio sobre a atividade dos neurônios e impede que eles fiquem excessivamente ativos -além de colocar um "teto" cada vez mais baixo conforme você insiste no assunto, na sua capacidade de processamento de informação. Por isso não adianta treinar piano ou matemática por muitas horas consecutivas, e não dá para manter o desempenho trabalhando horas a fio em uma mesma tarefa. Até o melhor dos concertistas começa a sofrer de fadiga cerebral ao cabo de uns 60 ou 90 minutos de atividade.

O consolo, para quem ainda tem um dia inteiro pela frente, é que a fadiga é específica, limitada aos circuitos que trabalharam demais. Se você mudar de assunto e for ler depois de esgotar seu córtex motor tocando piano, seus neurônios da linguagem analisarão o texto sem problemas. Por isso o currículo escolar acerta ao não manter ninguém pensando no mesmo assunto por tempo em excesso.

E, quando todos os circuitos cerebrais tiverem se esgotado, o cérebro tem seu próprio remédio contra a fadiga: dormir, para então... Começar tudo de novo!

SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do site "O Cérebro Nosso de Cada Dia" (www.cerebronosso.bio.br)

Decálogo
a ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais


1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;

2
Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;

3
Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega de documentos na DE;

4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática, o local não será utilizado;

5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos no prédio escolar,
não haverá consertos;

6

Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio não será pintado;

7

Se não houver verba para a contratação de contador para as escolas, não haverá prestação de contas à FDE;

8
Se não houver verba suficiente para a contratação de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;

9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;

10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar a escola à comunidade, não serão realizadas

A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão ser objetos de ofícios da direção às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia ao Ministério Público e propositura de Ações Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento das suas obrigações para com as unidades escolares e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.