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Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, de 02/12/2010
Educação básica só terá nível adequado em 2050, diz ONG
Estudo, divulgado ontem em SP, é do movimento Todos pela Educação
Meta do movimento é que 70% dos alunos tenham nível adequado de conhecimentos para suas séries até 2022
FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO
Mantido o atual ritmo de melhora, a educação básica brasileira- do primeiro ano do ensino fundamental ao terceiro do ensino médio- atingirá um nível de qualidade considerado adequado apenas daqui a 40 anos.
A projeção é apontada por estudo divulgado ontem pela ONG Todos pela Educação.
O movimento (formado por empresários, educadores e gestores) fixou como meta para 2022 que 70% dos estudantes tenham conhecimento adequado para a sua série, segundo avaliações federais (Prova Brasil e Saeb).
Pelas projeções dos técnicos, o patamar será atingido apenas em 2050, caso a velocidade de melhoria não aumente. Atualmente, o melhor desempenho aparece no quinto ano do ensino fundamental, em português, no qual 34,2% dos alunos alcançaram a nota esperada.
O movimento defende cinco ações para que os objetivos sejam alcançados no tempo esperado.
São elas: 1) implementação de currículo nacional (hoje há só diretrizes gerais); 2) valorização do professor (com melhores salários e formação); 3) penalização de gestores que não cumprirem normas ou metas da área; 4) avaliações de aprendizagem com mais informações às escolas; 5) melhores condições dentro da sala de aula.
De positivo, o movimento aponta o aumento do investimento na educação básica e a expansão de matrículas de crianças de baixa renda.
OTIMISMO
Presente ao evento, em São Paulo, a secretária da Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar, afirmou que ficou "otimista" com os dados.
"Temos mais brasileiros na escola, vamos atingir a meta de matricular todas as crianças de 4 a 17 anos e há melhora em português", disse a secretária. "Mas, diante do tamanho do desafio, estamos apenas começando."
Para Pilar, porém, um grande salto na qualidade do ensino depende da melhoria na distribuição de renda.
"As crianças [pobres] têm muitas dificuldades. A escola é importante, mas sozinha não consegue [o avanço]."
Para o pesquisador Simon Schwartzmann, é preciso que o aumento do investimento na educação seja maior, para ampliar o números de escolas em tempo integral e melhorar os salários do magistério, para atrair jovens mais bem preparados.
A secretária afirmou que em 2010 o programa federal de implementação de escolas em ensino integral beneficiou 10 mil escolas e, em 2011, chegará a 27 mil.
O movimento anunciou que prepara para o ano que vem um exame, amostral, para alunos do segundo ano do fundamental, cujos dados poderão ser divulgados.
Hoje, o MEC possui uma prova não obrigatória, mas só as escolas conhecem os desempenhos.
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