Matéria retirada do Jornal Folha de São Paulo, de 26/01/08

Fora da escola

Dos 34 milhões de jovens urbanos de 18 a 29 anos, 21,8% não chegaram a concluir a 8ª série e podem se marginalizar

O PROBLEMA é doloroso e reaparece com sua mais recente roupagem estatística: entre os 34 milhões de jovens de 18 a 29 anos domiciliados nas cidades brasileiras, 21,8% têm o curso fundamental incompleto -ou seja, não concluíram a oitava série- e 2,4% são formalmente analfabetos, o que faz pensar em quantos o serão de fato.

Os dados, compilados a partir da Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, estão em relatório da Secretaria Geral da Presidência da República, reproduzidos em reportagem da Folha.

A incidência do analfabetismo e da evasão escolar difere entre Estados e regiões. Alagoas, com 46%, encabeça a lista dos que não concluíram o curso fundamental ou não foram alfabetizados, enquanto São Paulo, com 15%, exibe os resultados menos assustadores. Em termos regionais, esses jovens excluídos aparecem em maior proporção (35%) no Nordeste e menor (18%) no Sudeste.

Esse quadro, em nada encorajador quando se leva em conta a necessidade de qualificar mão-de-obra, tem causas mais complexas do que as imaginadas pelo senso comum. O jovem não deixa simplesmente de freqüentar a escola porque precisa trabalhar e sustentar a família.
Trabalho divulgado no ano passado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) demonstra ser esse o caso de apenas 17% do 1,7 milhão de jovens entre 15 e 17 anos que abandonou os estudos.

Para refutar mais um pouco as idéias preconcebidas, 44% dos que não estudam mais nessa faixa de idade também não trabalham. Ao justificar a razão pela qual abandonaram a escola, quatro em cada dez jovens disseram ter perdido o interesse ou a convicção de que a escolaridade os ajudaria a conquistar um bom emprego. Estão distantes os tempos em que a falta de vagas ou a dificuldade de transporte para chegar a uma escola distante eram os fatores preponderantes na evasão.
Mesmo a gravidez entre adolescentes é vista como um elemento que dificulta a volta à escola, e não propriamente como a causa de abandono. Boa parte dessas ex-estudantes já se evadira quando engravidou.

Estamos, portanto, diante de um problema de inadequação entre aquilo que a escola oferece e aquilo que as vítimas da evasão dela esperavam. O ensino como é ministrado diz pouco aos alunos. Está patente que os atuais currículos transmitidos por professores menos inspirados não conseguem despertar o interesse de suas classes.
Entre os que não estudaram e os que estudaram por um período insuficiente, o país está produzindo uma nova geração de marginalizados

Decálogo
a ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais


1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;

2
Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;

3
Se não houver escriturários e secretário,
de acordo com o módulo, não haverá entrega de documentos na DE;

4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática, o local não será utilizado;

5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos no prédio escolar,
não haverá consertos;

6

Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio não será pintado;

7

Se não houver verba para a contratação de contador para as escolas, não haverá prestação de contas à FDE;

8
Se não houver verba suficiente para a contratação de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;

9
Se a mão-de-obra provisória
não for qualificada, será recusada;

10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar a escola à comunidade, não serão realizadas

A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos.

Todas as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão ser objetos de ofícios da direção às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia ao Ministério Público e propositura de Ações Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento das suas obrigações para com as unidades escolares e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.