|
Zero Hora, 17/06/2010 - Porto
Alegre RS
Saúde na educação
Renato Knijnik
Quando adolescentes entram irritados
em suas próprias casas, atirando coisas, gritando com os
próprios familiares; quando os políticos, mais uma
vez, vão dizer nos espaços gratuitos de televisão
e rádio que vão dar prioridade à educação;
quando os professores são expostos à marginalidade
infanto-juvenil, agredidos diariamente, cuspidos, ofendidos, impedidos
de desempenhar suas atividades, e nada podem fazer, concluímos
que existe uma crise pior do que a financeira. É a crise
de valores outros que atinge toda a sociedade, as famílias,
os pais, os adolescentes e as crianças (que serão
o futuro do Brasil). É a crise da falta de respeito geral
e em especial pelos professores.
Será que a impunidade
não está contribuindo para que num futuro próximo
esses adolescentes, já adultos, cometam infrações,
as mais variadas e graves, aumentando a superlotação
dos presídios? Historicamente mal remunerados e pouco valorizados,
professores se encolhem, por falta de apoio dos órgãos
competentes permitindo abusos inimagináveis até bem
pouco tempo atrás.
Impotência diante desses
fatos é o que sentem os professores. O Estatuto da Criança
e do Adolescente não é cumprido na íntegra,
sendo usado na maioria dos casos para referendar as atitudes absurdas
dos alunos e as omissões dos pais, sem uma análise
mais ampla de todo o contexto dos fatos. O próprio direito
de trabalhar do professor é cerceado. E, o direito das outras
crianças que estão em sala de aula e querem aprender,
como fica? Os professores se retraem, os diretores têm medo
e as autoridades não querem enxergar. Mas prometem sempre
que, se forem eleitos, darão prioridade para educação
e saúde. Por falar nisso, a saúde dos professores
vai de mal a pior com o estresse crescente no ambiente de trabalho
em função de tudo isso. Alta incidência de uso
de medicamentos antidepressivos, de hipertensão arterial,
diabetes e outros danos físicos e mentais.
E, mais que isso, os professores
estão sofrendo de fobia escolar, antes um distúrbio
psicológico exclusivo das crianças. O professor que
desenvolve fobia escolar sente um pavor da escola e da sala de aula,
com um quadro que inclui palpitações, tremores e cefaleia.
Como diz Lya Luft: Todos os indivíduos, não
importa a conta bancária, profissão ou cor dos olhos,
podem reverter esta outra crise: a do desrespeito geral que provoca
violência física ou grosseria verbal em casa, no trabalho,
no trânsito. Vamos acordar enquanto é tempo.
|
|