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Matéria
publicada no jornal Folha de São Paulo, de 24/05/10
A educação
mobilizando o Brasil
MILÚ VILLELA e MOZART NEVES RAMOS
Uma coisa é certa: o grande
salto na educação do Brasil só ocorrerá
quando houver a valorização definitiva do trabalho
dos professores
Vai ficando cada vez mais evidente
que o próximo desafio para o país é a oferta
de educação de qualidade para todos os brasileiros.
Hoje, é consenso que,
sem educação, será difícil alinhar o
desenvolvimento econômico e os ventos de prosperidade a uma
mudança sustentável no campo social.
Somente a educação
é capaz de promover a construção de um país
mais justo para todos. Segundo o economista da Fundação
Getulio Vargas (RJ) Marcelo Néri, membro do movimento Todos
pela Educação, cada ano de estudo produz um impacto
de 15% na renda média do trabalhador brasileiro.
O Brasil deslancha na economia,
tornando-se cada vez mais um porto seguro para novos investimentos
estrangeiros. As janelas de oportunidades criadas por essa economia
próspera, entretanto, não serão devidamente
aproveitadas por nossos jovens, por conta da baixa qualidade do
ensino.
Se, no passado, havia falta
de oportunidades de emprego no mercado de trabalho, agora há
falta de gente qualificada para aproveitá-las. A precariedade
do ensino parece ser o grande entrave para o crescimento sustentável
do Brasil.
Por essa razão, os vários
segmentos da sociedade estão cada vez mais engajados na causa
educacional. A atmosfera de mobilização nacional em
prol da universalização da educação
de qualidade vem se fortalecendo a cada dia, desde o surgimento
do movimento Todos pela Educação, com o apoio decisivo
dos meios de comunicação.
Com cinco metas claras para
a educação brasileira, o Todos pela Educação
vem abrindo novas frentes de participação social;
setores que, antes, só se preocupavam com a causa da educação
de qualidade, agora participam ativamente.
Antes mesmo da confirmação
oficial dos candidatos à Presidência da República,
diferentes setores da sociedade civil, todos engajados na mesma
causa, já começam a preparar propostas e documentos
que possam contribuir para que a educação dê
um salto de qualidade nos próximos anos, aproveitando as
conquistas alcançadas até aqui.
O próprio Todos pela
Educação, junto com outras entidades vinculadas à
área de educação, vem trabalhando numa carta-compromisso
a ser entregue aos candidatos à Presidência da República,
aos governos estaduais e ao Congresso.
Uma coisa é certa e parece
unânime em todas as frentes engajadas pela educação
de qualidade: o grande salto na educação só
ocorrerá quando o país definitivamente valorizar os
seus professores, o que é fundamental para atrair os jovens
mais talentosos e preparados do ensino médio para o magistério.
E a receita para isso já
é bem conhecida: salários iniciais atraentes, carreira
promissora, formação inicial sólida e condições
de trabalho apropriadas. Foi assim que fizeram os países
que estão no topo da educação mundial.
Todo esse movimento sinaliza
um tempo de forte mobilização pela educação.
Há quatro anos atrás, o Todos pela Educação
tinha um sonho, o de ver este país mobilizado, engajado nessa
causa. Esse sonho começa a se materializar. Para o bem do
país e da manutenção de nosso vigor econômico.
MILÚ VILLELA é
membro fundador do movimento Todos pela Educação,
presidente do Instituto Faça Parte, do Centro de Voluntariado
de São Paulo e embaixadora da Boa Vontade da Unesco.
MOZART NEVES RAMOS é
presidente-executivo do movimento Todos pela Educação.
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