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Sr. Redator da Revista Veja Sobre a entrevista do secretário da educação Paulo Renato, a diretoria da Udemo - Sindicato de Especialistas da Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo gostaria de fazer algumas observações: 1- Não somos contrários à "meritocracia"
proposta pelo governo na Lei Complementar 1097/2009. O que não
podemos aceitar, enquanto sindicato que tem por obrigação
defender a escola pública e os interesses dos seus associados é
a ausência de reajustes salariais anuais, inclusive para os aposentados,
direito constitucional de todos os trabalhadores do Brasil. Em 2009, nada
foi concedido ao magistério estadual, nem mesmo a reposição
da inflação. A meritocracia somente tem sentido no momento
em que os salários dos profissionais da educação
pública estadual estejam compatibilizados, o que não é
o caso do estado de São Paulo. Além disso, a Lei é
excludente, impedindo que 108.000 temporários participem das provas.
Ao afirmar que 220.000 professores estão aptos a prestar a prova,
no próximo ano, o Sr. Secretário da Educação
omite um dado importante. Com as restrições impostas pela
Lei, dos 111.000 efetivos, no máximo 80.000 poderão participar
da primeira avaliação. 2- Não é verdade que os sindicatos se omitem em relação ao bom ensino. Nosso sindicato, por exemplo, não só produz materiais pedagógicos, entre os quais a "Revista do Projeto Pedagógico", publicada em janeiro de cada ano, para auxiliar diretores e professores durante o planejamento. A UDEMO realiza capacitações em todo o estado. Nestas capacitações tratamos exclusivamente de questões educacionais e administrativas de interesse da educação e dos seus profissionais. 3- Comparar salários pagos ao magistério
estadual paulista com os de países nos quais a educação
é levada a sério, como Espanha, França, Inglaterra,
Japão e Coréia, é zombar da inteligência das
pessoas. 4- O fato de o Secretário "colocar em dúvida" os resultados do ENEM é "perfeitamente justificável": 90% das escolas de Ensino Médio da rede pública estadual não conseguiram alcançar média 5 em Língua Portuguesa, Matemática e Conhecimentos Gerais. Trata-se de um dos piores desempenhos no conjunto dos Estados. 5- Esses resultados desastrosos são consequência da omissão da Secretaria da Educação, que não capacita adequadamente seus professores, ignorando, se o que se ministrou nos treinamentos - quando raramente acontecem -, chegaram a sala de aula, que não paga salários minimamente condizentes e que não dá às escolas e aos professores condições adequadas de trabalho. São exceções as escolas públicas estaduais que conseguem, através de parcerias com empresas privadas, condições satisfatórias de trabalho. As exceções comprovam a regra geral. Atenciosamente Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto Presidente da Udemo. |
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