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Matéria Publicada no jornal Folha de São
Paulo, de 6 de junho de 2010.
As escolas já não
são mais o templo sagrado do saber
Hoje, elas
são o retrato colorido de tudo o que existe em nossa sociedade
MAS O QUE FIZEMOS E FAZEMOS PARA
QUE O MUNDO ADULTO ESCANCARE
DESSA MANEIRA, SEM QUAISQUER
PUDORES, SUAS MAZELAS AOS MAIS NOVOS?
ROSELY SAYÃO
ESPECIAL PARA A FOLHA
A escola já foi considerada um local sagrado
e, portanto, reverenciado, estimado, cuidado e respeitado por todos.
Uma de suas denominações, inclusive, era "Templo
do Saber". Atualmente, elas são o retrato colorido de
nossa sociedade, um espelho do estilo de vida urbana que temos levado
e do tipo de relação que estabelecemos com os mais
novos.
Assim sendo, a escola não é um local inviolável.
A criminalidade e a violência, o descaso com o patrimônio
público -bem de todos-, o caos das relações
interpessoais de um mundo individualista e simétrico, a competitividade
levada ao seu grau mais extremado, a grosseria, o desrespeito às
leis que nos protegem, o tráfico de drogas e o consumismo
-também de sexo- são algumas das características
de nossa sociedade.
Tais características se tornam, assim, elementos presentes
no ambiente escolar, já que os muros que o cercam não
são impermeáveis. Não se iluda, caro leitor:
as imagens do que ocorre no entorno da escola estadual Professor
Alberto Levy, na zona sul de São Paulo, não mostram
um fenômeno exatamente localizado.
De modo mais ou menos estridente, esse é o espírito
da sociedade que ajudamos a construir e que ronda nossas escolas
e, por consequência, nossas crianças e jovens.
FAZER O QUÊ
Não há dúvida alguma de que a Secretaria Estadual
da Educação, a polícia, a própria unidade
escolar e seus trabalhadores, o bairro do entorno, as famílias
dos alunos etc. deveriam ter sua quota de responsabilidade nessa
questão.
No entanto, na mesma medida -vamos reconhecer- todos eles têm
também sua parcela de impotência frente a fenômenos
desse tipo. Fazer o quê? Ou, melhor dizendo: o que fizemos
e fazemos para que o mundo adulto escancare dessa maneira, sem quaisquer
pudores, suas mazelas também aos mais novos?
O pior de tudo é que nós já temos muitas respostas
para dar a essa pergunta.
ROSELY SAYÃO é psicóloga,
autora de "Como Educar Meu Fillho?" (Publifolha), e colunista
da Folha
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