Trechos extraídos de matéria publicada no Jornal Agora São Paulo, de 17/03/10

Greve estadual já fecha escolas

Thiago Braga
do Agora

A greve dos professores da rede estadual de ensino, que começou no último dia 8 de fevereiro, já fecha escolas e prejudica alunos na cidade de São Paulo. A reportagem visitou dez escolas da capital ontem. Três estavam fechadas por causa da greve. Quatro estabelecimentos estavam com greve parcial e outras três apresentaram aulas normais.

Na escola Oscar Thompson, no Cambuci (região central de SP), mais de 700 alunos estão sem aula, segundo funcionários. Ela estava fechada ontem [...]

[...] Na escola Mildre Alvares Biaggi, no bairro do Ipiranga (zona sul de SP), a situação era idêntica. A escola, que atende alunos do ensino fundamental, também estava totalmente parada. Outra escola visitada pela reportagem, e que não estava tendo aulas, foi a Lasar Segall, na Vila Mariana (zona sul de SP). Ao todo, cerca de 1.700 alunos foram prejudicados nesses três locais.

A Secretaria de Estado da Educação disse que, das três escolas, só a Mildre Alvares Biaggi está totalmente parada. Informou ainda que a diretoria de ensino da região centro-sul vai remanejar professores para que as aulas sejam garantidas. A pasta diz que nas outras duas escolas há falta de professores, mas que elas não estão totalmente paradas. A secretaria mantêm que o número de professores grevistas é de 1%.

O secretário da Educação, Paulo Renato Souza, diz que tem ouvido de professores da rede que a greve tem fins eleitorais. O secretário disse também que, se precisar, as aulas serão repostas.

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado) diz que o número de grevistas é de 60%. Os professores reivindicam um reajuste de 34,3%. Na sexta, uma nova assembleia decidirá se eles continuarão em greve.

 

Decálogo
a ser seguido pelos gestores para a solução dos problemas de infra-estrutura das Escolas Públicas Estaduais


1
Se não houver merendeira na escola,
não será fornecida a merenda;

2
Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada;

3
Se não houver pessoal de secretaria,
de acordo com o módulo, não haverá entrega de documentos na DE;

4
Se não houver verba para compra
de material e manutenção da sala de informática, o local não será utilizado;

5
Se não houver recursos para reparos e vazamentos no prédio escolar,
não haverá consertos;

6

Se não houver recursos para pintura do prédio, o prédio não será pintado;

7

Se não houver verba para a contratação de contador para as escolas, não haverá prestação de contas à FDE;

8
Se não houver verba suficiente para a contratação de funcionários pela CLT,
o dinheiro será devolvido;

9
Se a mão de obra provisória
não for qualificada, será recusada;

10
Se as festas não tiverem o objetivo de integrar a escola à comunidade, não serão realizadas

A nossa escola é, por previsão constitucional, pública e gratuita. Portanto, ela tem de ser custeada pelos cofres públicos. Todas as omissões do Estado, com relação aos itens acima, deverão ser objetos de ofícios da direção às Diretorias Regionais de Ensino, a fim de isentarem o diretor de eventuais responsabilidades administrativas.
Toda e qualquer ameaça de punição aos diretores associados da Udemo, por tomarem aquelas atitudes, será objeto de defesa jurídica por parte do Sindicato, seguida de denúncia ao Ministério Público e propositura de Ações Civis Públicas contra o Estado, pelo não cumprimento das suas obrigações para com as unidades escolares e pelos prejuízos causados à comunidade escolar.